Depois de Lisboa, é a vez do "The Oporto Ballerina Project”

Começou há quase dois anos em Lisboa e agora chegou ao Porto. "The Oporto Ballerina Project" é um projecto fotográfico que enquadra dança e urbanismo

Leonor Almeida no Porto 2011-2012 © Luís Rocha Reis
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Leonor Almeida no Porto 2011-2012 © Luís Rocha Reis
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Isabelinha Silva no Porto 2011-2012 © Luís Rocha Reis
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Isabelinha Silva no Porto 2011-2012 © Luís Rocha Reis

A ideia é captar os movimentos e as poses de bailarinas enquanto dançam em pleno centro da cidade. O conceito baseia-se em duas coisas: "A beleza da cidade, no caso de Lisboa, e agora do Porto; e a beleza da bailarina como figura esteticamente bonita”, explica o autor do "The Lisbon Ballerina Project" e do "The Oporto Ballerina Project".

Para além do tradicional ballet clássico, o projecto mostra um pouco de todos os estilos de dança, desde o hip hop, ao moderno, contemporâneo e até danças latinas. A diversidade de estilos de dança foi também pensada para acompanhar os diferentes estilos de construção dos centros urbanos, pois “tanto Lisboa como o Porto são cidades metropolitanas e com influências arquitectónicas muito eclécticas“, refere o autor. 

Assim, desde o "belo bruto, as zonas mais degradadas e sujas, ao belo moderno, como o edifício Casa da Música, no Porto, ou até o belo da natureza", como foi o caso da sessão em Serralves, todos os espaços das duas cidade são cenário no projecto. 

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Luís Rocha Reis

Inspirado nos trabalhos de Dane Shitagi, um fotógrafo nova-iorquino que criou o “The Ballerina Project” e no projecto “Dancers Among Us”, Luís Reis, fotógrafo profissional há seis anos, partiu para o desafio de fotografar na rua, sem grandes meios nem a luz controlada do estúdio. “Esta ideia surgiu também exactamente numa altura em que eu comecei a sentir que já estava demasiado em estúdio”, de “querer voltar ao básico” e “sair da zona de conforto, que é uma coisa que eu acho que precisamos, especialmente como criadores”, justifica o artista.

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Andreia Coelho em Lisboa 2011-2012 © Luís Rocha Reis

Apenas com o fotógrafo, a bailarina e a luz natural da cidade, as sessões costumam começar muito cedo, com os primeiro raios de sol da manhã, por dois motivos: primeiro, porque é a melhor luz para fotografar, e segundo, porque tipicamente são ao fim de semana e, se for cedo, há menos gente na rua. “O projecto vive muito da bailarina e da cidade mas sem mais pessoas na envolvente e portanto temos mesmo que aproveitar as alturas em que as cidades estão mais desertas”, clarifica.

Os locais também são escolhidos pelas bailarinas. "Nós identificamos uma série de locais que achamos que vale a pena e que são bonitos, e que se adequam ao projecto, mas queremos que sejam elas a dizer. Porque mais do que chegar e fazer umas poses, o objectivo aqui é que elas façam a interpretação do seu estilo de dança dentro do contexto, portanto, convém que sejam locais que lhes digam qualquer coisa, que as motivem, que as inspirem", refere.

Depois a técnica de fotografar a performance. "Porque as bailarinas estão em movimento a dançar", o fotógrafo explica que tem de encontrar os "melhores ângulos e o momento certo", quando dispara.  

De Lisboa ao Porto

A primeira sessão do projecto foi em Lisboa, em 2010, com uma estudante de Ballet a dançar no Terreiro do Paço e no Elevador de Santa Justa. Desde então, foram feitas 52 sessões em Lisboa e 14 no Porto.

 

A ideia de fotografar no Porto surgiu por intermédio de Inês Gamboa, uma bailarina do Norte que participara no projecto em Lisboa. O desafio foi lançado e as sessões, na Invicta, continuam desde Junho deste ano. Hoje em dia, já não é Luís Reis que procura mas as bailarinas que o procuram para entrar no projecto.

 

O The Lisbon Ballerina Project teve a primeira exposição, em Novembro de 2011, no Lx Factory. Com apenas um dia, o evento contou com perto de quatro mil visitantes, garante Luís Reis. "Tem tido uma aceitação fantástica, tenho conhecido pessoas giríssimas, não só portuguesas mas uma série de estrangeiras que trabalham cá na área da dança", afirma.

 

Este ano, o fotógrafo está a tentar organizar uma segunda exposição em Lisboa e outra no Porto e ainda uma edição de um livro com imagens do projecto nas duas cidades.