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Megafone

Kindle Touch 3G

A falta de edições em português ainda é um problema para os leitores e nem os clássicos que a Amazon oferece o escamoteiam

Algumas coisas não são boas no Kindle Touch. A perfomance da navegação web é experimental, controlar o tamanho da letra nem sempre é fácil, incorporar memória externa não é uma possibilidade e com um ecrã a preto e branco é difícil interpretar alguns gráficos, mapas e imagens.

É por isso que permanece a ideia de que estes "readers" não foram feitos para comics, livros técnicos, infantis e outros. Estes géneros dependem quase sempre de um ecrã a cores e por isso, a sua leitura não é plena.

Para os portugueses, a principal desvantagem dos "readers" é sobejamente conhecida e está para além de especificações técnicas. A falta de edições em português ainda é um problema para os leitores e nem os clássicos que a Amazon oferece o escamoteiam.

Para os anglófonos há leitura garantida para os próximos anos.

A livraria da Amazon parece não ter fim e nem é a maior (a livraria da Barnes & Noble promete 2,5 milhões de títulos) e neste momento existem vários projectos que compilam livros e revistas gratuitamente. Além disso, nos Estados Unidos as Bibliotecas aceitaram a tendência e aproveitaram esta oportunidade para disponibilizar o empréstimo de ebooks. Vamos continuar a aguardar que as Bibliotecas portuguesas sigam o exemplo.

Alguns leitores sentem falta do cheiro dos livros, do pó e do toque do papel que já não existe. Parecem problemas inultrapassáveis e não devemos condenar quem prefere o papel. Podemos sim olhar para as vantagens.

Como a designação do Kindle indica, o toque existe e é digital. Com ele é-nos permitido fazer coisas que não conseguiríamos fazer em outro suporte. Por exemplo, seleccionando uma palavra podemos sublinhá-la, traduzi-la, encontrar instantaneamente o seu significado num dicionário, procurar o artigo correspondente na Wikipedia e adicionar uma nota própria (útil, sobretudo, na leitura de livros técnicos).

Mas, diga-se o que se disser, não há periférico que se aproxime mais da leitura analógica que o Kindle. Com o ecrã E Ink, esquecemo-nos por completo de que estamos a ler um ebook. Não há melhor elogio que se lhe possa ser feito e é por isso que esta quarta geração do Kindle continua acima de qualquer concorrente.