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Para Hollande, a Grécia deve provar “credibilidade” dos seus compromissos

François Hollande recebeu esta manhã o primeiro-ministro grego
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François Hollande recebeu esta manhã o primeiro-ministro grego Reuters

O Presidente francês, François Hollande, afirmou hoje, em Paris, depois de um encontro com o primeiro-ministro grego, Antonis Samaras, que a Grécia deve provar a “credibilidade” dos seus compromissos.

“A Grécia deve fazer prova da credibilidade do seu programa e dos seus compromissos”, afirmou François Hollande, lembrando, contudo, que, “num momento em que é preciso assumir compromissos”, a Europa tem que “ter consciência de tudo o que foi já feito” por Atenas.

O Presidente francês apontou, como já o fizera na sexta-feira a chanceler alemã, Angela Merkel, a necessidade de aguardar a divulgação do relatório da ‘troika’ (União Europeia, Fundo Monetário Internacional e Banco Central Europeu) sobre o país, prevista para o fim de Setembro, antes de tomar qualquer decisão sobre uma flexibilização do tempo do programa de ajustamento grego.

Mas depois disso, sublinhou, a Europa “deverá cumprir o seu dever” porque “não há mais tempo a perder” e “há compromissos a assumir, de uma parte e de outra”.

“Devemos fazer com que a questão da permanência da Grécia na Zona Euro não se ponha mais. Porque, para mim, essa questão não se coloca. A Grécia faz parte da Zona Euro, deve permanecer aí”, acrescentou.

François Hollande saudou ainda os “esforços que o povo grego vem fazendo desde há dois anos e meio”.

Estas declarações seguiram-se a um encontro no Palácio do Eliseu, que começou por volta das 10h30 (9h30 em Lisboa) e durou cerca de uma hora.

A Grécia vai “ter sucesso, vai permanecer na Zona Euro”, disse, por seu lado, o primeiro-ministro grego, Antonis Samarras, denunciando o desejo de “alguns” de continuar “a especular” contra o seu país.

“Alguns continuam a especular contra a Grécia”, mas “a Grécia vai ter sucesso e manter-se na Zona Euro”, disse, após a reunião com o presidente francês.

Antonis Samaras veio a Paris fazer o que já fizera na sexta-feira em Berlim. Tentar negociar um prazo suplementar de dois anos, até 2016, para equilibrar as contas do país: “Não queremos mais dinheiro, queremos mais tempo para respirar”, afirmou, ao lado da chanceler alemã, Angela Merkel.

Segundo o novo chefe do executivo Grego, Atenas, que entrou no quinto ano consecutivo de recessão, acredita que, com este tempo suplementar, conseguirá retomar gradualmente o crescimento económico.

Mesmo antes de se encontrar com o primeiro-ministro grego, Merkel já tinha garantido, na quinta-feira, que quer que o país continue a fazer parte da Zona Euro. A chanceler pediu, contudo, a Atenas que se esforce por continuar o caminho de reformas que vem fazendo e por cumprir os compromissos que assumiu.

Esta posição foi concertada com François Hollande durante um jantar de trabalho em Berlim, e tornada pública numa declaração conjunta ao final do dia.

Antonis Samaras começou este périplo diplomático na quinta-feira, em Antenas, onde recebeu o Presidente do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker. Também deste interlocutor o primeiro-ministro grego ouviu que terá apoio, mas apenas se os esforços de Atenas forem redobrados: “Esta é a última oportunidade”, disse Juncker.