Crónica de jogo

O V. Guimarães desmoronou-se na segunda parte e expôs-se à goleada

O central Otamendi ganha o lance nas alturas a Soudani
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O central Otamendi ganha o lance nas alturas a Soudani Foto: Fernando Veludo/nFactos

Foi um golo espectacular de Lucho González que deu início a uma goleada (4-0) que o FC Porto fez por merecer no Dragão. Os portistas dominaram do princípio ao fim, embora revelem ainda alguma falta de coordenação e de ideias ofensivas, e tiveram no argentino uma lufada de ar fresco numa partida disputada praticamente apenas no meio-campo vimaranense.

Vítor Pereira mostrou que não tinha ficado satisfeito com o empate em Barcelos ao sacrificar os laterais e James Rodríguez. Alex Sandro entrou para o flanco esquerdo, na direita Danilo ocupou a posição de Miguel Lopes. Uma meia surpresa, até porque o lateral português tem feito exibições positivas, mas que se compreende se tivermos em conta que o brasileiro foi a segunda contratação mais cara de sempre dos portistas (18 milhões de euros) e dá outra capacidade ofensiva à equipa. James, por seu lado, não convenceu em Barcelos e cedeu o lugar a Atsu.

O FC Porto assumiu o jogo desde cedo. O primeiro sinal de perigo veio dos pés de Lucho que, após uma boa jogada de Atsu, rematou de forma disparatada. Mas redimiu-se pouco depois, com um grande remate: numa jogada feita de tabelas, NDiaye aliviou mal, Adoua não acompanhou e o argentino colocou a bola em arco. 1-0. Aos 33’, os “dragões” reclamaram uma grande penalidade que não foi assinalada, depois de um remate de Hulk ter sido interceptado com o braço.

Os vimaranenses só tiveram mérito defensivo na primeira parte. Faltou-lhes tudo o resto. Com El Adoua e André André a esgotarem todas as energias a defender, não sobrou nada para construir. E Barrientos também não foi o homem indicado para fazer a ligação com o ataque. A consistência defensiva, porém, é uma virtude desta equipa, muito por culpa da qualidade dos centrais Defendi e Ndiaye e do lateral Bruno Teles, que conseguiu ganhar grande parte dos lances a Hulk e Atsu. As alas vimaranenses também nunca funcionaram, com o talentoso jovem Ricardo incapaz de superar o internacional brasileiro Alex Sandro. Na frente, Soudani mostrou-se muito movimentado, mas também demasiado solitário. É uma equipa em construção, que perdeu grande parte das suas estrelas. O único lance que incomodou Helton aconteceu aos 21’, com Ricardo a aproveitar um erro de Fernando e a tentar aproveitar a má posição do guarda-redes.

Na segunda parte, o V. Guimarães tentou recuperar a desvantagem e desmoronou-se por completo. Tentou estender o jogo e caiu, com o FC Porto a jogar folgado e a construir tranquilamente a goleada. Aos 66’, Hulk arrancou uma das suas bombas à entrada da área, sem hipóteses para Douglas. As esperanças dos visitantes morreram aí. Depois, aos 71’, Lucho voltou a mostrar a sua qualidade, concluindo uma jogada de Alex Sandro finalizada por Atsu – o argentino fez recarga.

E Defendi ainda cometeria uma grande penalidade sobre João Moutinho, oferecendo a Jackson a oportunidade para se estrear a marcar com uma grande penalidade à Panenka e para concluir uma goleada impensável no final da primeira parte.

POSITIVO
Hulk

O brasileiro não realizou uma grande exibição. Mas voltou a ter uma daquelas bombas que são a sua imagem de marca.

Bruno Teles
O lateral do V. Guimarães teve uma primeira parte exemplar. Conseguiu anular Hulk e Atsu, sempre que trocavam de lugar.
 
NEGATIVO
Segunda parte do V. Guimarães
Os minhotos estão num processo de construção. Têm uma defesa que garante segurança, mas quando tentam alargar o jogo acabam por se estender ao comprido. Rui Vitória tem ainda muito trabalho para fazer em termos de construção ofensiva. Valeu a prestação da defesa na primeira parte.

Barrientos
É um jogador agradável nas alas, mas não esteve feliz a fazer a ligação entre o meio-campo e o ataque.

 

Notícia actualizada às 23h09

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