Manuela Matos Monteiro
Foto
Manuela Matos Monteiro

LA Mobile Art Festival, há uma portuguesa entre o melhor da iPhoneography mundial

Festival de Los Angeles seleccionou 160 artistas de 30 países para mostrar o melhor da fotografia feita com iPhone e iPad. Manuela Matos Monteiro é a única representante portuguesa

Manuela Matos Monteiro rendeu-se há um ano. “Contra as opiniões mais ortodoxas, comecei a usar o iPhone como meio de registo fotográfico.” Uma pequena janela abriu-lhe um novo mundo. Fotografar, editar e até partilhar – tudo com o mesmo meio e em poucos minutos.

Na iphoneart encontrou uma comunidade – fotógrafos, designers, pintores, pessoas comuns - rendida ao smartphone (ou iPad). E sentiu-se em casa: “Comecei a participar regularmente.” Daí à selecção de três fotografias para integrarem o primeiro LA Mobile Art Festival, em Los Angeles, foi um passo.

Ela é a representante portuguesa entre os 160 artistas de 30 países que durante nove dias compuseram o festival em Santa Monica, que encerra no dia 25 de Agosto. “Fiquei muito contente, é uma forma de provar que aquilo que tenho feito tem valor estético”, contou ao P3 Manuela Matos Monteiro.

PÚBLICO -
Foto
Manuela Matos Monteiro

Mais do que o Instagram

PÚBLICO -
Foto
Manuela Matos Monteiro

Quem está a par das maravilhas que o Instagram consegue, não está completamente fora do assunto. Mas não chega. O LA Mobile Art Festival introduz palavras novas no nosso dicionário: “iPhoneography” ou “iPhonic”, o que significa que são imagens obtidas através de um smartphone e editadas com o mesmo meio com recurso a várias apps.

As três imagens escolhidas fazem parte da colecção “Botânica”. Mas é a “street photo” que reúne as preferências da fotógrafa, que conta com várias séries de imagens. Manuela não abandonou a máquina fotográfica tradicional, mas reconhece que há uma grande vantagem no uso do iPhone: “Torna-nos invisíveis. Quando ando com uma máquina mais simples sou uma turista, com o iPhone sou invisível."

O preconceito dos colegas fotógrafos em relação ao telefone já não se compara ao que acontecia há um ano (“os meus parceiros não aceitavam muito bem”). O meio, diz Manuela Matos Monteiro, é apenas isso: "Um meio." “O que faz o fotografia é outra coisa”.

Há um exemplo que a fotógrafa gosta de dar para mostrar que o gueto já não é o que era: há tempos esteve no Latitudes – Festival Internacional de Fotografia, em Huelva, e no museu da cidade, perto da sala onde se exibiam trabalhos da Agência Magnum, cinco fotógrafos expunham os seus registos feitos com iPhone.

Em Setembro, Manuela e João Lafuente vão ter uma exposição no Douro Film Harvest, mas desta vez sem iPhone ao barulho. É deles também a edição do blogue Istambul, convidado do PÚBLICO.