Fim do nuclear obriga Alemanha a queimar mais carvão

A central a carvão inaugurada perto de Colónia
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A central a carvão inaugurada perto de Colónia Federico Gambarini/AFP

O consumo de carvão na Alemanha aumentou 4,9% desde que, em 2011, o Governo de Angela Merkel anunciou um plano para sair da energia nuclear, depois do acidente com a central japonesa de Fukushima.

A 15 de Agosto entrou em funcionamento em Grevenbroich, perto de Colónia, uma estação de produção de electricidade, da RWE, a partir da queima do carvão. O Governo alemão acredita que esta unidade – capaz de abastecer 3,4 milhões de lares – vai ajudar o país a sair do nuclear, noticia nesta terça-feira a agência Bloomberg. A central, um modelo mais recente de unidades a combustíveis fósseis, “vai ajudar a reduzir as emissões de carbono e dar um tremendo contributo para o sucesso da transformação da indústria energética”, comentou o ministro alemão do Ambiente, Peter Altmaier, durante a inauguração.

No início do ano passado, a Alemanha decidiu encerrar, até 2022, os seus 17 reactores nucleares, responsáveis por 23% da produção de electricidade. Para compensar, o país está a apoiar-se mais no carvão – com custos mais baixos – do que no gás natural, importado da Rússia. Em 2010, as energias renováveis representavam ainda 17% da electricidade e espera-se que em 2022 cheguem aos 35%.

“A política de Angela Merkel criou uma estrutura de incentivo que tem como efeito substituir, em parte, o nuclear pelo carvão, o combustível mais sujo e que é responsável por muito do aumento das emissões de gases com efeito de estufa desde 1990”, disse Dieter Helm, investigador na área de energia na Universidade de Oxford, à Bloomberg.

“A Alemanha precisa de abandonar, o mais depressa possível, o carvão e adoptar o gás natural como combustível de transição se se preocupar verdadeiramente com o clima”, acrescentou Dieter Helm.

O aumento do consumo do carvão na Alemanha espelha o que se passa a nível mundial. Segundo dados da BP, a quantidade de carvão queimado no mundo em 2011 aumentou de 5,4% para os 30% do consumo total de energia.