Meio mundo come milho com sotaque do Midwest

Quando barra uma fatia de broa com manteiga ou a usa para comer um portuguesíssimo chouriço, é provável que a farinha de milho usada para a fazer tenha sotaque do Midwest. É que 53% do milho comercializado em 2011 foi plantado por agricultores norte-americanos.

Sendo um dos grandes produtores de cereais, os EUA dominam o mercado internacional do milho, embora exportando uma pequena quantidade da sua produção (15%). Por isso, os preços que prevalecem internacionalmente são os do mercado interno - influenciados pela meteorologia na "Cintura do Milho", o Midwest. Daí os receios de que a grande seca de 2012 resulte num terceiro episódio de aumento dos preços dos alimentos a nível mundial em cinco anos.

Os efeitos já se começam a sentir: o índice de alimentos da Organização para a Alimentação e a Agricultura (FAO) subiu 6% de Junho para Junho. A deterioração das perspectivas quanto à colheita nos EUA fez os preços do milho subirem 23% em Julho.

A isto junta-se a cotação do trigo, o cereal mais consumido no mundo, que subiu 50%. Aqui o que está em causa são as más condições meteorológicas na Rússia e a expectativa de redução nos stocks de milho. O preço do açúcar está também a fazer subir o índice de preços da FAO, devido às chuvas no Brasil, maior exportador mundial. O atraso das monções na Índia, que cria condições de seca, também não ajuda à tranquilidade dos mercados.

Na Bolsa de Chicago, o valor dos futuros do milho (as previsões quanto ao preço que atingirá numa determinada data futura) subiram 60% a partir de meados de Junho, atingindo níveis recorde. Outros cereais, como a soja e o trigo, estão também a subir muito. Oficialmente, mais de metade da colheita de milho é classificada pelo Departamento de Agricultura dos EUA como de má qualidade - a pior classificação desde a seca de 1988, quando a colheita de milho foi reduzida em 31%. C.B.