Confederação de Agricultura diz que Governo terá de adoptar medidas de emergência face à seca

João Dinis disse que a falta de chuva prejudica as culturas agrícolas, ou então obriga a gastos excessivos com rega mecânica
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João Dinis disse que a falta de chuva prejudica as culturas agrícolas, ou então obriga a gastos excessivos com rega mecânica Enric Vives-Rubio

O dirigente da Confederação Nacional de Agricultura (CNA) João Dinis defendeu neste sábado que o Governo terá de adoptar medidas de emergência perante os prejuízos dos agricultores provocados pela situação de seca extrema em que o país se encontra.

“Já no final de 2011 e início de 2012, houve bastante falta de chuva e o país entrou em seca extrema e, agora, está de novo nessa situação", disse à Lusa o dirigente da CNA.

Segundo o Instituto de Meteorologia, no final do mês de Julho, 58% do território estava em seca extrema, 26% em seca severa, 15% em seca moderada e 1% em seca fraca.

“As culturas de Outono/Inverno foram seriamente afectadas pela seca e, agora, as culturas de Primavera/Verão afectadas estão. E, se isto assim continua, lá teremos Outubro, Novembro e Dezembro também com problemas por falta de chuva, por falta de água na agricultura”, observou João Dinis. "A falta de chuva prejudica as culturas agrícolas, ou então obriga a gastos excessivos com rega mecânica, o que faz disparar os custos de produção que, normalmente, já são bastante caros."

Segundo o dirigente da CNA, o problema é que, além de “parte do país - interior, sul, norte - estar em seca extrema, e de não se saber quando é que vai chover, há também o calor que prejudica seriamente os produtores pecuários e outras produções, como o próprio olival e a vinha”.

“Este ano vai ser um ano em que vai baixar a produção nacional da generalidade das culturas, a começar por aquelas que não são de regadio, que não são culturas intensivas, de estufa ou outras”, sublinhou. “Vamos ter uma quebra da produção agrícola nacional e os agricultores que, no ano passado, já tiveram uma quebra bastante grande, vão somar prejuízos em cima de prejuízos, até ao limite do insustentável”.

E “mesmo para 2013, veremos, porque as secas prolongadas, as secas extremas, repercutem-se de um ano para o outro, não é só no ano em que ocorrem”, acrescentou.

Embora já tenha havido “uma ajuda aos produtores pecuários e algumas ajudas de menor impacto a outro tipo de produções, do ponto de vista da CNA e das suas filiadas, o Governo tem, de novo, de elaborar planos de emergência para esta situação de seca extrema”.