Investimento de 1050 milhões de euros

Alexandre Alves garante que projecto em Abrantes vai avançar

"Todo o financiamento que está aplicado é dinheiro nosso e não da banca", diz o presidente da RPP Solar
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"Todo o financiamento que está aplicado é dinheiro nosso e não da banca", diz o presidente da RPP Solar José Carlos Campos/Correio da Manhã

O projecto de construção de uma fábrica de painéis solares em Abrantes pela RPP Solar, que esta segunda-feira perdeu o direito aos apoios que tinham sido contratados pelo Estado, vai continuar a avançar, garante o empresário Alexandre Alves.

O empresário afirmou hoje ao PÚBLICO que já estão duas fábricas prontas, das seis unidades fabris que estão previstas no âmbito deste projecto da RPP Solar. Em Junho de 2010, a empresa tinha assinado um contrato de investimento com o Estado para receber apoios de 128 milhões de euros, no âmbito do QREN (Quadro de Referência Estratégica Nacional).

“Nunca recebemos um cêntimo que fosse”, afirmou Alexandre Alves, confirmando a informação que já tinha sido avançada da parte da AICEP (Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal). O responsável da RPP Solar defende aliás que o apoio previsto era “um valor irrisório” face ao investimento total previsto para o projecto, que ascende a 1050 milhões de euros. E diz também que nunca chegou a ser recebido pelo actual Governo, apesar das várias tentativas.

Quanto aos atrasos sofridos e à não execução do projecto de acordo com o que estava programado, e que motivaram a rescisão do contrato de investimento da parte do Estado, Alexandre Alves diz que tem a ver “com a conjuntura internacional”. Inicialmente, estava programado iniciar a produção de painéis solares em 2010, mas agora o empresário defende que a laboração irá arrancar no início de 2013.

“Todo o investimento que está aplicado é financiamento nosso e não da banca”, disse também, referindo que, até ao momento, foram aplicados 107 milhões de euros neste negócio.

Deste montante, cerca de 10 milhões de euros são passivo e alguns fornecedores já tentaram, aliás, reaver o dinheiro que lhes é devido em tribunal. “Não temos dívida bancária, temos dívida a fornecedores e as situações que temos, estamos a resolver. 95% dos fornecedores a quem devemos percebem isso perfeitamente.”

Da parte da câmara, o empresário também recebeu apoios no final de 2009, ao conseguir adquirir um terreno de 82 hectares por 100.000 euros, que tinha sido comprado pela autarquia por um milhão de euros. Fundador da antiga FNAC-Fábrica Nacional de Ar Condicionado e também investidor em retail parks, Alexandre Alves ficou há muitos anos conhecido como o “Barão Vermelho” devido às suas ligações ao PCP e ao Benfica.