Crise europeia

Sociais-democratas alemães propõem mutualização das dívidas públicas da zona euro

Sigmar Gabriel (à direita) sugere um referendo para decidir a alteração necessária à Constituição alemã
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Sigmar Gabriel (à direita) sugere um referendo para decidir a alteração necessária à Constituição alemã Foto: Thomas Peter/ Reuters (arquivo)

O presidente dos sociais-democratas alemães (SPD), Sigmar Gabriel, propôs hoje a mutualização das dívidas públicas dos países da zona euro, a par de um rigoroso controlo orçamental comum, em entrevista ao jornal Berliner Zeitung.

Para estudar as necessárias alterações à Constituição Alemã – que proíbe que o país se responsabilize por dívidas de outros Estados –, o líder social-democrata sugeriu que se forme uma convenção e se convoque depois um referendo para decidir.

Gabriel anunciou que irá apresentar esta proposta à direcção nacional do SPD e também aos presidentes e secretários gerais dos outros partidos socialistas e sociais-democratas da União Europeia.

O mesmo responsável explicou ainda que a ideia não é sua, mas sim do filósofo Juergen Habermas e do economista Peter Bofinger, membro do grupo de conselheiros do Governo alemão, os chamados “cinco sábios”, e ainda do ex-ministro social-democrata da cultura, Nida Rumelin, convidados a participar na elaboração do programa eleitoral do SPD para as legislativas de 2013.

Actual política para o euro “falhou”

“A política europeia do Governo de centro-direita liderado por Angela Merkel para salvar o euro, que o SPD tem apoiado nas votações no parlamento federal, falhou”, proclamou o líder social-democrata.


A coligação de centro-direita no poder tem recusado sistematicamente a mutualização da dívida dos países da moeda única, nomeadamente através da emissão de títulos conjuntos, os chamados “eurobonds.

A pouco mais de um ano das eleições gerais na Alemanha, Gabriel, que já tinha exigido recentemente um controlo mais apertado das actividades da banca e que na entrevista ao Berliner Zeitung exigiu também mais impostos sobre altos rendimentos e grandes fortunas, afirma-se assim como o candidato mais à esquerda do leque de possíveis sucessores de Angela Merkel.

Mas, segundo a imprensa alemã, o social-democrata mais bem colocado para candidato a chanceler é agora, porém, o líder parlamentar e ex-ministro dos negócios estrangeiros, Frank-Walter Steinmeier.

Na corrida está ainda o ex-ministro das finanças, Peer Steinbrueck, identificado com a ala mais à direita do SPD, mas a decisão final só será tomada em Congresso Nacional, a realizar no próximo Outono.

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