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By AgiL: projecto financiado através de "crowdfunding" quer reinventar o azulejo

Afonso Gil está em contagem decrescente. Falta pouco para poder dar vida aos padrões de pasteis de nata, eléctricos, sardinhas na brasa, tomates e azeitonas

"Quero construir cultura". Quem o diz é Afonso Gil, arquitecto de 32 anos que está por detrás do projecto By AgiL, em contagem decrescente para o financiamento através de "crowdfunding".

By AgiL é um projecto lançado em Junho e tem como objectivo patentear 25 padrões contemporâneos para azulejos e desenvolver todo um negócio que envolve padronizar malas, cadernos, t-shirts e outros produtos.

1.500 euros foi o valor solicitado no início. No entanto, actualmente, há um apoio de 182%, o que corresponde a 2.730 euros acumulados. Missão cumprida.

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O prazo para contribuir para a concretização deste projecto termina no dia 2 de Agosto. E novos objectivos foram traçados. "Há imensos desenhos que estão na gaveta e gostaria de os patentear, esse é um dos novos objectivos", revela Afonso Gil ao P3.

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Também há "o lançamento de um novo produto [um poster amovível] que estou a desenvolver para quando receber" a quantia acumulada. Como está explicado no site de divulgação do By AgiL, dos 1.500 euros solicitados inicialmente, 510 euros seria para o registo de 25 desenhos de padrões para azulejos, no INPI (Instituto Nacional da Propriedade Industrial) e o restante valor destinado à "produção de novos produtos".

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"Se chegar aos 180% de apoio lançarei um produto surpresa", conta Afonso.

Mas, na realidade, o arquitecto quer produzir padrões personalizados, para habitação, espaços comerciais, eventos e empresas. Pretende manter pontos fixos de venda, bem como alargar a feiras de artesanato.

A guitarra, o manjerico, a sardinha

Aposta no azulejo porque a possibilidade de desenhar padrões e conjugá-los de mil e uma maneiras diferentes é algo que atribui ao azulejo um caracter infinito.

Admira a reacção das pessoas quando, ao longe, vêem um padrão por inteiro e quando se aproximam do azulejo conseguem ver o pormenor de cada elemento. Afonso Gil desenha uma série de elementos da cultura portuguesa, desde um pastel de nata até um eléctrico de Lisboa. "No fundo estamos a potencializar a composição do azulejo", observa o arquitecto.

Há dois anos, em 2010, quando Afonso Gil criou a sua empresa (homónima) de arquitectura e design pensou, em tom de brincadeira, que poderia aplicar os seus desenhos ao azulejo. Mas não foi por acaso: "na altura chegou-me às mãos um livro sobre azulejos, com autores holandeses, editado por uma empresa empresa americana e impresso na China", conta. Ficou surpreendido e decidiu reagir. "Pensei para mim 'como é que é possível que um elemento tão rico e enraizado da nossa cultura esteja a ser mostrado por pessoas que não são de cá', tenho que dar a volta a isto ", acrescenta.

Ficou três semanas em casa a desenvolver padrões para azulejos: o eléctrico de Lisboa, a guitarra portuguesa, o pastel de nata, o manjerico, a sardinha, o copo de cerveja são alguns dos elementos que desenha.

Começou por mostrar o seu trabalho em feiras artesanais e lojas. "Procurei parcerias e tive pessoas que quiseram arriscar comigo". Até surgir o crowdfunding.

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