Alemães acreditam que teriam a ganhar em estar fora do euro

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O ministro alemão da Economia expressou dúvidas sobre as reformas gregas Patrik Stollarz/AFP

Uma sondagem realizada pela Emnid para o semanário alemão Bild am Sonntag mostrou que 51% dos alemães acredita que a maior economia da Europa teria a ganhar em estar fora da zona euro, contra 29 por cento que consideram esse cenário pior para a o país.

O estudo mostrou ainda que 71 por cento dos inquiridos quer a Grécia fora da moeda única se não cumprir as suas promessas de austeridade.

Sobre este tema, o ministro alemão da Economia, Philipp Rösler, disse ao mesmo jornal que “há dúvidas consideráveis sobre se a Grécia está a viver de acordo com as suas promessas de reforma”.

“A implementação [das reformas] é hesitante. Não há ainda uma instituição funcional de cobrança de impostos. Também quase nada foi feito em termos da privatização dos activos públicos”, afirmou o ministro ao semanário com maior tiragem na Alemanha.

“Se a Grécia não cumprir as suas obrigações, não pode haver mais dinheiro. Nesse caso, a Grécia ficará insolvente”, acrescentou.

Philipp Rösler e o FDP, o Partido Democrata Liberal que dirige, o mais pequeno na coligação de governo, têm reiteradamente expressado dúvidas de que a Grécia tenha capacidade para levar a cabo as difíceis reformas estruturais que lhe foram impostas pelos credores internacionais.

Os auditores da troika estão actualmente no país para avaliarem o desempenho do Governo em relação às reformas contratadas e o relatório que produzirem será determinante para que a Grécia receba a próxima tranche, na ordem dos 31,5 mil milhões de euros, prevista no programa de ajuda.

O ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schäuble, reiterou em entrevista publicada pelo semanário alemão Welt am Sonntag que a Grécia deve cumprir as reformas com que se comprometeu. “O programa de ajuda já é bastante acomodatício. Não vejo espaço para novas concessões”, afirmou.

Em contramão com estas declarações, o líder das câmaras de comércio na Alemanha, apelou ao fim do debate sobre se a Grécia deve ou não continuar no euro. “Penso que é errado que na Alemanha, por exemplo, haja uma discussão diária sobre se a Grécia deve sair do euro”, afirmou Martin Wansleben à agência alemão de notícias, DPA. “Não é nada connosco. Cabe à Grécia decidir isso”.

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