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Megafone

Bon Iver: música no palco e na plateia

“We’ll just keep playing songs, ok?”, disse Vernon depois de ter cantado “Flume”, uma das músicas do álbum “For Emma, Forever Ago”, o primeiro da banda

Em Março, a banda norte-americana Bon Iver anunciou que vinha a Portugal. Em Abril, os bilhetes já estavam esgotados. Em Julho, todos aqueles que compraram bilhete a tempo puderam gozar de um concerto incrível e a banda pôde gozar de uma recepção altamente calorosa.

A expectativa era enorme e quem já tinha procurado no YouTube vídeos da banda ao vivo podia jurar que não ia haver desilusões. E não houve. Justin Vernon, o americano de 31 anos, juntamente com a sua numerosa banda – ao todo, estavam nove músicos em palco – tanto animou como comoveu o Coliseu dos Recreios em Lisboa. 

“I’m up in the woods, I’m down on my mind” – começou Vernon para um público ansioso por ouvir a peculiar voz do dono do palco, que viaja dos seus característicos tons agudos aos mais graves sem hesitações. 

Seguiu-se “Perth”, uma das músicas do segundo álbum de estúdio da banda que justificou plenamente a existência de duas baterias no palco. A audiência vibrava e o vocalista também parecia estar a gostar de tocar num sítio onde há muito tempo, segundo o próprio, tinha vontade de vir. 

“We’ll just keep playing songs, ok?”, disse Vernon depois de ter cantado “Flume”, uma das músicas do álbum “For Emma, Forever Ago”, o primeiro da banda. Os ouvintes concordaram e a banda arrancou com “Towers”, som do seu mais recente disco. O entusiasmo do público misturou-se com o violino, o piano, as baterias, as guitarras, o saxofone e, claro, a voz de Vernon que pouco depois se declarou apaixonado por Lisboa e apresentou os membros da banda.

“I’m really happy today”, disse Vernon. “So am I”, ouviu-se da audiência . E a verdade é que todos pareciam estar em sintonia com o cantor que tentou, mas não conseguiu, explicar o quão bom era ter-nos ali a todos.

Com “Skinny Love”, à voz de Justin Vernon pareceu-me terem-se juntado as vozes das quatro mil pessoas que enchiam o Coliseu. Apesar de um início imperfeito – uma guitarra já velha que começou por não estar à altura do single mais popular da banda – era impossível não vibrar com aquele momento. “So what, we are not that professional”. O público riu-se e pediu por mais.

E num encore bastante desejado ouviram-se mais duas músicas do primeiro álbum da banda: “The Wolves” e para acabar, “For Emma”.

Pode dizer-se que o grupo de Wisconsin conseguiu tudo aquilo que uma banda pode pedir: um público que, muitas vezes, se calou para a ouvir, e um público que, muitas vezes, cantou mostrando que a música da banda não estava só no palco mas também na plateia.