Crise do euro

Vice-presidente da Comissão Europeia questiona momento de alertas da Moody's

Viviane Reding defende que  "a Europa está agora firmemente a caminhar para a consolidação das finanças públicas"
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Viviane Reding defende que "a Europa está agora firmemente a caminhar para a consolidação das finanças públicas" Francois Lenoir/Reuters

A vice-presidente da Comissão Europeia Viviane Reding questionou hoje o momento escolhido pela Moody's para fazer alertas ao rating de diversos Estados-membros da União Europeia (UE), fazendo uma ligação com a situação financeira nos EUA.

"É interessante verificar que sempre que a situação orçamental dos EUA se encontra mais fragilizada, as agências de notação procuram colocar os holofotes sobre a Europa", disse Reding em Bruxelas à estação televisiva alemã ZDF, à margem de uma conferência de imprensa hoje, na capital belga.

"Indiferentemente" ao que as agências de notação americanas possam dizer, sustentou, "a Europa está agora firmemente a caminhar para a consolidação das finanças públicas", com a economia alemã a funcionar como uma "forte âncora e um motor impressionante de crescimento".

A Moody's colocou na segunda-feira em perspectiva negativa o Outlook para as economias da Alemanha, Holanda e Luxemburgo, o primeiro passo para um eventual corte do rating atribuído.

A agência disse que estes países (todos têm actualmente AAA, a nota mais elevada) estão ameaçados pelos problemas que a zona euro enfrenta, nomeadamente uma possível saída da Grécia do euro.

"Mesmo que tal acontecimento seja evitado, existe uma probabilidade cada vez mais forte de que seja pedida ajuda para outros Estados da zona euro, nomeadamente Espanha e Itália", considera a Moody's, considerando que "o fardo" deverá pesar sobre os Estados-membros considerados como mais solventes.

As dívidas da Alemanha, da Holanda e do Luxemburgo estão avaliadas pela Moody's com triplo A, a melhor nota possível, o que reflecte precisamente a confiança dos investidores na solvabilidade destes países.

Quando as perspectivas das agências de notação financeira estão em terreno negativo, isso significa que o rating actualmente atribuído pode vir a sofrer cortes no curto prazo.