Francisco Vieira de Almeida: "Com as condições que temos, continuamos a fazer milagres"

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Francisco Almeida (na imagem no Sevens de Hong Kong) foi titular em todos os jogos no Algarve Foto: Dale de la Rey/AFP
Qual a importância para o râguebi português da vitória no Algarve Sevens?

O primeiro objectivo era qualificarmo-nos para o Mundial 2013. O segundo era chegar à final e, chegando lá, queríamos ganhar. Alcançar esta vitória em casa dá mais visibilidade ao râguebi e isso é importante para conseguirmos mais apoios.


Jogar em casa foi decisivo?

Colocou-nos um pouco mais de pressão, mas 50% da vitória é do público que nos apoiou. Houve um incentivo extra por jogar em casa e o apoio foi fundamental.


Era o jogador mais jovem da selecção. Foi fácil integrar-se?

Sim, foi fácil. O treinador deu-me muitas oportunidades e isso ajudou. Para além disso, já conhecia muitos dos meus colegas e fui muito bem recebido. Aprendi muito e estou-lhes grato por isso.


Qual foi o momento mais marcante da época para si?

Em Hong Kong consegui realizar um sonho. Foi a primeira vez que joguei pela selecção de sevens e nunca tinha jogado num nível daqueles, com tantos espectadores nas bancadas. Foi um momento marcante e garantimos um lugar de equipa residente no Circuito Mundial. Agora, no Algarve, foi importante por ser o primeiro torneio que venci e por ter sido em casa, com a família e amigos a ver.


Perder o título europeu foi a desilusão da temporada?

Não considero uma desilusão. Estamos numa fase de transição com uma equipa jovem. Desde que os sevens passaram a modalidade olímpica que algumas selecções investiram muito e passaram a profissionais. Nós somos amadores. Com as condições que temos, continuamos a fazer milagres. Somos vice-campeões europeus e temos que estar contentes por isso.


Em 2013, os sevens serão a sua grande aposta?

Sim, no próximo ano gostava de fazer todas as etapas do Circuito Mundial. Vou tentar conciliar as provas com os estudos, mas não será fácil. A minha prioridade serão os sevens. Oportunidades como esta devem ser agarradas.


Ainda não se estreou pela selecção de XV...

É um objectivo com que sempre sonhei e espero alcançá-lo. Quanto mais cedo lá chegar, melhor.


Esteve sete meses na Nova Zelândia. Como correu?

Aprendi muito. Lá tudo gira em torno da modalidade e joguei ao lado de jogadores que daqui a uns anos vão estar na selecção neozelandesa. Evoluí e cresci muito como jogador.


Teve convites para jogar em França. Vai aceitar?

Eu gostava de jogar no estrangeiro, mas nesta altura, com a idade que tenho, é importante ficar em Portugal. Tornará mais fácil a participação no Circuito Mundial e essa é a minha grande prioridade.