Torne-se perito

Queixas no SNS aumentam e médicos são os principais visados

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O número de reclamações cresceu no último ano 9% face a 2010 NUNO FERREIRA SANTOS

Utentes apresentaram no último ano quase 50 mil reclamações nas várias unidades do Serviço Nacional de Saúde, a uma média de 136 por dia. Médicos representam metade do total de queixas entradas

Em 2011, as unidades do Serviço Nacional de Saúde (SNS) receberam em média 136 reclamações e dez elogios por dia. O relatório do Sistema SIM-Cidadão relativo ao ano passado, que a Direcção-Geral da Saúde (DGS) divulga hoje, revela um total de 54.675 exposições feitas nas diversas unidades de saúde, sendo que 49.702 são reclamações. As queixas aumentaram cerca de 9% face a 2010 e o principal motivo de insatisfação dos utentes nos hospitais encontra-se no "serviço de urgência", que soma 29% das reclamações.

Os serviços de urgência nos hospitais e de medicina geral e familiar nos centros de saúde são os que recebem mais queixas dos cidadãos. A espera pelo atendimento é o que mais leva os utentes das unidades hospitalares a reclamar, somando 27% do total de queixas. Nos cuidados de saúde primários, o protesto mais frequente é a "dificuldade de marcação de consulta" (19% do total). O relatório da DGS nota ainda a excepção da Unidade Local de Saúde da Guarda, onde, ao contrário de todas as outras, onde o tempo de espera para o atendimento ou para o serviço de urgência lideram as reclamações, surge a "falta de cortesia" em primeiro lugar.

Na lista das dez causas mais mencionadas nas reclamações do SNS, o "tempo de espera no serviço de urgência" ocupa o primeiro lugar com 7549 queixas, seguindo-se o "tempo de espera para o atendimento" (4601) e a falta de cortesia (3540). Nos centros de saúde, a questão da cortesia é remetida para um quarto lugar (com 1126 reclamações) e ultrapassada por questões que remetem para a dificuldade de acesso dos utentes, com quase duas mil pessoas a queixarem-se por "recusa de consulta" e outras tantas por dificuldade de marcação de consulta.

Quanto aos grupos profissionais, o pessoal médico (com 46%) é, tal como em 2010, o mais visado pelas críticas dos cidadãos, seguindo-se os dirigentes (24%) e os assistentes técnicos. Mas, por outro lado, são também os médicos (32%) e enfermeiros (25%) os que mais elogios recebem dos utentes. Das mais de 54 mil exposições recebidas, 3636 são elogios ou louvores e 1337 são sugestões.

A análise por regiões de saúde mostra que o Algarve é a que soma mais reclamações (num cálculo que tem em conta os dados de produção) e o Alentejo menos. "Em todas as regiões de saúde, observou-se um valor médio de 0,7 reclamações por cada mil actos" médicos e de enfermagem, refere o relatório, destacando a posição desfavorável do novo Hospital de Cascais, que apresenta um valor muito superior de 6,5 queixas por cada mil actos clínicos. Este hospital, construído e gerido em reg