Director regional do desporto demite-se por ser desautorizado por Alberto João Jardim

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Alberto João Jardim cedeu às pressões de Rui Alves, presidente do Nacional Foto: Duarte Sá/Reuters

Jardim, após ter ordenado um novo modelo de apoios financeiros ditado pelo plano de resgate – comunicado quarta-feira aos clubes pelos secretários da Educação e Recursos Humanos, Jaime Freitas e por Jorge Carvalho que tutela a estrutura herdada do extinto Instituto do Desporto – decidiu alterar o corte do subsídio para o Marítimo e Nacional, de 21 para 15 por cento. Por deliberação tomada quinta-feira pelo conselho de governo regional, a cada um dos dois clubes madeirenses a competir na I Liga nacional, concedeu mais 170 mil euros, fazendo subir o subsídio anual para 1,9 milhões.

Devido a esta ingerência de Jardim, à revelia do modelo que ele próprio mandou implementar em conformidade com o Programa de Ajustamento Económico e Financeiro da Região, o director da Juventude e Desportos optou, numa atitude rara na Madeira, por abandonar o cargo criado há escassos dois meses.

Jardim, pondo em causa os membros do seu governo responsáveis pelo pelouro do desporto, acabou por ceder à pressão exercida pelo presidente do Nacional, Rui Alves que o ilibou de responsabilidade nos cortes e, transferindo-a para Jaime Freitas e Jorge Carvalho, pediu as suas demissões. Este último, como não recebeu a solidariedade do chefe do executivo que antes tinha ordenado reduções drásticas nos apoios ao desporto, sem garantir o pagamento dos milhões em dívida aos clubes, concedidos através de contratos-programa, decidiu bater com a porta das novas instalações da Rua dos Ferreiros, no recuperado edifício do extinto Ateneu Comercial do Funchal.

Segundo o novo modelo, o governo madeirense vai distribuir 10,2 milhões de euros pelos principais clubes e associações desportivas do arquipélago na próxima época de 2011-12. Mais de seis milhões foram destinados às competições profissionais e sociedades anónimas, a distribuir pelo Marítimo, Nacional, União/SAD, Madeira SAD masculino e feminino e CAB-Madeira (masculinos). As colectividades com representação nacional vão receber 1,3 milhões, os desportos individuais com representação nacional 700 mil, a competição regional 1,2 milhões, as associações regionais de modalidade 750 mil euros, o desporto para todos 150 mil euros e outros eventos terão direito a 50 mil euros.

Com a alteração decidida por Jardim, os dois clubes de futebol profissional a disputar a I Liga nacional, Marítimo e Nacional, passam a receber 1,9 milhões cada um, menos 15% que os 2,244 milhões atribuídos, mas ainda não totalmente recebidos, na época passada. Por participar numa competição europeia (Liga Europa), o Marítimo receberá ainda uma majoração de cinco por cento. Ao Clube de Futebol União, na II Liga, foram concedidos 840 mil euros.

A disputar competições nacionais de andebol e basquetebol, ao Madeira SAD masculino e feminino foram atribuídos 660 mil euros e ao CAB-Madeira 330 mil euros.

Os clubes, mais do que contestar o novo modelo imposto pela conjuntura financeira, têm reclamado os vários milhões de subsídios relativos a épocas anteriores e ainda não transferidos pelo governo regional que tem encerrado instalações desportivas por falta de dinheiro para a sua manutenção. O incumprimento de tais contratos levou a que alguns clubes desistissem da participação em competições nacionais.