PJ desmantela negócio “familiar” a partir de Espanha

A Polícia Judiciária anunciou hoje o desmantelamento de um “negócio familiar”, de uma advogada, do companheiro e do filho daquela, que consistia em extorquir dinheiro “para despesas” a quem procurava crédito para suprir dificuldades.

Segundo uma fonte da Directoria do Centro da PJ, os arguidos, em nome de empresas fictícias e apresentando-se como seus gestores com nomes falsos, publicavam anúncios a oferecer crédito, essencialmente nas páginas do Correio da Manhã e Jornal de Notícias.

Através das designações comerciais de “Prestamos y Prestamistas”, “Multi Money”, “Esferosul Lda.”, “Gibraltar e Offshore”, entre outras, apresentavam-se como gestores das mesmas com nomes falsos Pablo Hernandez, Pablo Fernandez, Manuel Albarran ou Espírito Santo, explicou a mesma fonte.

Aos três suspeitos, que foram alvo de um mandado de detenção europeu em Espanha, é atribuída a apropriação indevida de 80 mil euros, mas a PJ presume que possa atingir “um valor muito superior” a 200 mil euros, dado o número de queixas apresentadas às forças policiais em vários pontos do país.

Através das empresas fictícias, “criadas apenas para o efeito, ou cujo nome era usado abusivamente”, disponibilizavam-se para “conceder empréstimos de elevados montantes, mediante prévio pagamento de despesas com a abertura do respectivo processo”, refere um comunicado hoje divulgado pela PJ.

“Após o pagamento dessas despesas por parte dos interessados, normalmente pessoas com grandes dificuldades financeiras, deixava de ser possível contactar com os suspeitos”, acrescenta.

Noutros casos, explica a PJ, “para manter as vítimas crentes na sua seriedade, enviavam-lhes cheques que aparentemente titulavam o valor do crédito a conceder, cujo custo da entrega pela empresa transportadora era também suportado pelos lesados, vindo depois a constatar que os cheques não tinham boa cobrança”.

Os montantes ilegitimamente recebidos eram depois depositados em contas de bancos portugueses e espanhóis, tituladas pelos suspeitos.

Os três envolvidos desenvolviam esta actividade “pelo menos desde meados de 2009”. Primeiro terá sido em Portugal, depois a partir de Espanha, onde lhes foram identificadas seis residências. Os lesados são “muitas dezenas de pessoas por todo o país”, acrescenta a PJ.

Segundo a mesma fonte da Polícia Judiciária, os suspeitos - a advogada, de 51 anos, o seu companheiro, de 32, e o filho daquela, de 23, - deverão ser apresentados às autoridades judiciárias de Coimbra na próxima sexta-feira para o primeiro interrogatório judicial e aplicação de medidas de coação.