Crise leva a aumento de suicídios

Homem morre ao saltar da colina da Acrópole de Atenas

Os media gregos dão cada vez mais atenção às tristes histórias de suicídios
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Os media gregos dão cada vez mais atenção às tristes histórias de suicídios Louisa Gouliamaki/AFP

Um homem de 45 anos morreu após ter saltado da colina da Acrópole, em Atenas, no que foi visto como uma das últimas tentativas de suicídio num país em que este é um dos sintomas mais agudos da crise.

Um homem de 77 anos já se tinha suicidado na praça Syntagma, em frente ao Parlamento, em Abril, deixando uma nota dizendo que preferia a morte a “procurar comida no lixo” e que virava a arma contra si “porque não ter com quem lutar”. O caso provocou uma onda de indignação e manifestações violentas.

Desta vez, o provável suicídio ocorreu noutro local simbólico da capital grega, a Acrópole, às 9h30 locais, numa altura em que autocarros turísticos já tinham deixado os seus muitos ocupantes para visitar o local. O homem, empregado de um banco em fase de reestruturação, ainda foi levado para o hospital, mas não sobreviveu à queda. “O homem saltou e caiu mesmo em baixo do Teatro de Dionísio”, descreveu uma fonte policial à agência noticiosa AFP.

Os suicídios são sintoma e resultado de uma sociedade “patogénica”, disse ao PÚBLICO Aris Violatzis, da associação Klimaka, que tem uma linha telefónica de prevenção de suicídios. “O que se pode dizer da ligação entre suicídios e crise? Antes tínhamos 5 a 15 chamadas por dia. Depois de 2009, começámos a ter entre 40 e 100 telefonemas”, comenta. “Não podemos dizer que o suicídio é causado pela economia, assim como não podemos dizer que há ataques cardíacos económicos”, explica. “Mas as pessoas estão a viver num ambiente social patogénico” que traz vários problemas de saúde, incluindo o suicídio.

O estima do suicídio num país religioso

Na Grécia o suicídio tem um grande estigma, explica o psiquiatra. Por exemplo, as pessoas que se suicidam não podem ter funerais segundo as regras da Igreja Ortodoxa, algo importante num país religioso, onde as tomadas de posse políticas são presididas pelo líder ortodoxo e a religião está indicada nos bilhetes de identidade. Este estigma faz com que muitas vezes quem põe fim à própria vida o faça disfarçando-o de acidente. “Quem disser que tem números exactos não percebe nada do assunto”, nota o psiquiatra.

Os media estão a dar cada vez mais atenção aos suicídios e tentativas — estima-se que por trás de cada suicídio haja 20 tentativas. Como na semana passada, por exemplo, quando uma jovem de 24 anos se atirou de um ferry de Atenas para Creta e foi, depois de um alerta, salva por um iate que passava perto.

E as histórias são cada vez mais tristes, entre desempregados, pequenos empresários que a crise deixou falidos, ou pessoas sem dinheiro para a saúde, como o caso recente de um homem de 70 anos, de Creta, sem dinheiro para pagar os medicamentos para a dor que precisava para a sua perna amputada, ou de um homem de 60 anos que se atirou da janela junto com a sua mãe de 90 anos, em Atenas, aparentemente por os 340 euros da pensão da mãe, única fonte de rendimento dos dois, não chegarem para os cuidados de que necessitava.