UNESCO põe Tombuctu na lista do património em risco

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UNESCO já se tinha mostrado preocupada com o estado de conservação do património de Tombuctu Reuters

Segundo a AFP, a inscrição da “jóia do deserto”, “título” frequentemente atribuído a Tombuctu (fundada entre os séculos XI e XII), e do complexo funerário do imperador Askia Mohamed I (século XV) em Gao no património em risco foi feita a pedido do governo de transição maliano. A situação que se instalou no país depois do golpe de Estado de 22 de Março e a destruição de edifícios e manuscritos que desde então se verificou por decisão dos grupos armados ou em virtude dos confrontos levanta os piores receios quanto à preservação daquele património.

“[Colocá-los na lista de bens em risco] favorece a cooperação e o apoio aos sítios ameaçados pelo conflito armado que afecta a região”, diz o comunicado da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), documento em que a instituição pede ainda aos países que fazem fronteira com o Mali que façam tudo o que está ao seu alcance para “prevenir o tráfico de objectos culturais provenientes destas cidades”.

Tombuctu, Gao e Kidal, os três centros do norte do país, passaram a ser controlados por grupos rebeldes islamistas no final de Março, depois de os tuaregues os terem tomado em apenas 72 horas, objectivo que perseguiam há 40 anos ou seja, desde que o Mali se tornou independente de França. Destituindo o Presidente Amadou Toumani Touré, que acusaram de não ter sabido lidar com o caos lançado pelos guerrilheiros do turbante azul, os militares instalaram-se em Bamaco, a capital. Neste momento, o exército maliano e as autoridades de transição não conseguem recuperar territórios aos tuaregues, que no terreno têm contado com o apoio de grupos jihadistas ligados à al-Qaeda e que pretendem instaurar no país a sharia, a lei islâmica. Ao contrário dos tuaregues, que querem fazer das três grandes cidades do Norte um novo país, o Azawad, estes grupos radicais não são separatistas.

Situada às portas do deserto do Sara, Tombuctu fica a mil quilómetros da capital, e tem 30 mil habitantes. É património da humanidade desde 1988 e deve a sua fundação aos tuaregues. Graças à prosperidade que atingiu, sobretudo nos séculos XV e XVI devido ao comércio das grandes caravanas, transformou-se no centro cultural e espiritual de África, pólo a partir do qual o islão se alargou a grande parte do continente.

Com as suas três grandes mesquitas – Djingareyber, Sankoré e Sidi Yahia – cemitérios, mausoléus, madrassas e fabulosas bibliotecas com centenas de milhares de manuscritos, alguns deles pré-islâmicos, Tombuctu é particularmente característica pela sua arquitectura em adobe.

O Túmulo de Askia, construído em 1495, inclui um mausoléu piramidal e uma mesquita, e é património mundial há oito anos.

Ter os dois sítios na lista do património em perigo alerta a comunidade internacional para o problema e aumenta a responsabilidade dos grupos armados que controlam o norte do país.