Em vésperas de Conselho Europeu

Rajoy diz que Espanha não pode continuar “a financiar-se a estes preços”

As declarações foram feitas numa sessão de controlo ao Governo no Congresso de Deputados
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As declarações foram feitas numa sessão de controlo ao Governo no Congresso de Deputados Foto: Andrea Comas/Reuters

Em vésperas do Conselho Europeu, que decorre no final da semana em Bruxelas, o presidente do Governo espanhol, Mariano Rajoy, deixou uma mensagem bem clara sobre a crise da dívida que o país atravessa, afirmando que Espanha não pode continuar “durante muito mais tempo a financiar-se a estes preços” e que desta forma a economia não poderá crescer.

Numa sessão de controlo ao Governo no Congresso de Deputados, Mariano Rajoy, citado pelo diário espanhol Público, em resposta a perguntas do PNV e do PSOE, reconheceu que está a ser “dificílimo” para o país financiar-se e que perante “o problema de liquidez” e os elevados preços de mercado “é muito difícil que a economia possa crescer”.

A declaração de Mariano Rajoy surge na mesma semana em que o país formalizou o pedido de resgate à banca e numa altura em que a agência de notação Moody’s baixou o rating de quase todos os bancos espanhóis para “lixo”. Também na terça-feira o Tesouro Público espanhol colocou 3077,7 milhões de euros em títulos a três e seis meses, mas foi penalizado com juros três vezes mais elevados, que ultrapassaram os 3% a seis meses. Os juros pagos na operação foram, aliás, os mais elevados desde Dezembro e demonstram as fortes tensões que se vivem no mercado da dívida soberana espanhola há várias semanas.

Nesse sentido, Rajoy espera conseguir que no Conselho Europeu “se tomem medidas razoáveis” para que Espanha possa continuar a financiar-se nos mercados a preços suportáveis. E reiterou que o encontro de Bruxelas é decisivo para o futuro da zona euro. O governante falou também de várias medidas que está a implementar e de cinco propostas que levará ao encontro, reiterando que a redução do défice público é fundamental para o país e defendendo uma maior “união orçamental e bancária” ao nível da União Europeia, para se conseguir estabilizar os mercados.

“Creio que todas as medidas são importantes, mas hoje o mais importante é financiarmo-nos nos mercados”, afirmou. “É preciso apostar na irreversibilidade do Euro, dizer que vai estar sempre aí”, afirmou Rajoy, ainda a propósito da cimeira, durante uma sessão perante os deputados que decorreu com uma tranquilidade pouco usual e com Alfredo Pérez Rubalcaba, líder do maior partido da oposição, o PSOE, a garantir que Rajoy tem o apoio dos socialistas no conselho europeu.