<i>Franchising</i>

O pastel de nata à conquista do mundo apresenta-se

No Príncipe Real, em Lisboa, e com a ajuda de Fernando Pessoa
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No Príncipe Real, em Lisboa, e com a ajuda de Fernando Pessoa Foto: Carla Rosado

A empresa que já tinha planos para internacionalizar o pastel de nata antes de o ministro falar abre primeiro espaço.

Chamaram-lhe Nata Lisboa porque é simples, e porque se consegue dizer facilmente em qualquer língua – a marca que se lançou no franchising do pastel de nata e que pretende exportá-lo para todo o mundo abre hoje a sua primeira unidade em Lisboa, no espaço, com jardim, ligado à galeria Fabrico Infinito e à livraria Babel, no Príncipe Real.

A beBusiness, que tinha este projecto antes de o ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira, ter defendido a internacionalização do pastel de nata, apresentará hoje a sua imagem, inspirada em Lisboa, na presença do secretário de Estado do Empreendedorismo, Competitividade e Inovação, Carlos Oliveira.

Com uma receita própria de pastel, do mestre pasteleiro Gilberto Costa e do chef José Alexandre, um logótipo desenvolvido pela equipa de designers de André Senteeiro e inspirado no trabalho de ferro forjado das varandas de Lisboa, e com a ajuda de Fernando Pessoa, o Nata vai ser promovido com a frase "the world needs nata".

João Cunha, da beBusiness, empresa que já tem experiência de franchising noutras áreas, sorri: "Numa altura em que anda tudo muito azedo, este é um doce que enche a alma, e que, comparado com outros, tem um baixo valor calórico." É verdade que as geralmente chamadas Portuguese custard tarts já se comercializam em vários pontos do mundo, mas, diz João Cunha, geralmente com uma qualidade bastante inferior à dos pastéis de nata portugueses.

O que se pretende com esta nova marca é garantir um produto com o mesmo nível de qualidade seja em que ponto do mundo for. O objectivo é que os pastéis sejam produzidos numa unidade de fabrico em Portugal e exportados. Nos locais de venda será apenas feita a finalização da cozedura, para que os bolos possam ser servidos sempre mornos.

O primeiro franqueado do Nata é um francês, baseado em Paris, que aposta nesta unidade de estreia, mas já com planos para a expansão para França. João Cunha mantém-se optimista quando à possibilidade, que tinha avançado ao PÚBLICO em Janeiro, de "ter pelo menos os contratos assinados" para a abertura de dez espaços em Portugal até ao final do ano, tendo já "interessados quer em Lisboa quer no Porto". Mas, sublinha, em qualquer cidade, o nome manter-se-á Nata Lisboa.

O que não se deverá concretizar é a outra meta que a beBusiness tinha admitido como possível ainda para 2012: a abertura de 20 espaços no Brasil. Há já interessados, afirma João Cunha, sobretudo para São Paulo e Rio de Janeiro, mas não há ainda nada de concreto para este ano.

Para já, hoje, o Nata Lisboa apresenta-se e espera começar, a partir do Príncipe Real, a sua conquista do mundo. Até porque, como diz Fernando Pessoa, através de Álvaro de Campos, nos pacotes dos pastéis: "Olha que as religiões todas não ensinam mais do que a confeitaria."