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Sara Oliveira: a NCAA já tem sotaque português

Aos 19 anos, Sara é uma das figuras das Spartans, equipa do segundo escalão do basquetebol universitário norte-americano. Depois de Ticha Penicheiro e Mery Andrade, será a jovem base a próxima portuguesa a actuar na WNBA?

O desejo de poder conciliar os estudos com o basquetebol e singrar na modalidade levaram-na a atravessar o Atlântico com apenas 17 anos. “Em Portugal não nos facilitam muito estudar e jogar ao mesmo tempo, sobretudo na faculdade”, lamenta Sara Oliveira, 19 anos e uma das figuras das Spartans, equipa do segundo escalão do basquetebol universitário norte-americano.

Depois de Ticha Penicheiro e Mery Andrade, a jovem base tem potencial para vir a ser a próxima portuguesa a actuar na WNBA.

Do Desportivo da Póvoa às Spartans, de Sparkill, Nova Iorque, a realidade de Sara transfigurou-se a todos os níveis. Deparou-se com a barreira da língua, “porque não era muito fluente em inglês”, encontrou um estilo de vida frenético, “onde há sempre coisas para fazer”, e regenerou-se enquanto jogadora por estar rodeada de um “basquete muito mais forte, físico, rápido e, principalmente objectivo”. “Trabalham muito mais”, enfatiza em conversa com o P3.

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Sara Oliveira tem 19 anos e é uma das figuras das Spartans Fernando Veludo/nFactos

Empenho e ouvidos atentos aos conselhos dos treinadores para melhorar no aspecto defensivo valeram-lhe uma presença cada vez mais assídua no cinco inicial, a ponto de ter sido a terceira jogadora das Spartans com mais minutos na época 2011/2012.

Fevereiro confirmou a valia da estudante de administração de negócios na St. Thomas Aquinas College que conseguiu 11.25 pontos por jogo, 3.5 ressaltos e 2 assistências, contribuindo para a sequência vitoriosa de oito jogos das Spartans. Pelos números obtidos foi ainda distinguida como atleta do mês da equipa nova-iorquina.

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Sara Oliveira tem 19 anos e é uma das figuras das Spartans Fernando Veludo/nFactos

Para Sara Oliveira, a chave do sucesso do basquetebol norte-americano deve-se à exigência do treino e ao conhecimento do jogo que os treinadores demonstram. “Treinamos todos os dias menos nos dias dos jogos, das 15h às 18h. Nos dias dos jogos, temos um treino de manhã para fazer lançamentos e rever. Depois temos treinos teóricos, porque as treinadoras lá são treinadoras 24 horas sobre 24 horas”, explica.

Inspirada por Steve Nash, Ricky Rubio e Diana Taurasi, a atleta não esquece as emoções do segundo jogo da meia final da Conferência de Este, da 2ª divisão da NCAA, onde apontou 21 pontos frente às Firebirds. “Ninguém esperava que eu estivesse preparada para levar a equipa às costas. Conseguimos ganhar o jogo por dois”. 

“Já nasceu comigo”

Os primeiros dribles de Sara aconteceram quando “tinha 10/11 anos” por “arrasto da família”. “O meu pai é treinador, a minha mãe sempre foi ligada à modalidade e tios meus também”. Apesar do encorajamento familiar, a basquetebolista afirma que “não é nada que faça obrigada". "Já nasceu comigo”, reitera.

Além do Desportivo da Póvoa e agora das Spartans, Sara Oliveira representou o Futebol Clube de Gaia e o Sporting Clube de Coimbrões. Desafiada a fazer comparações face aos EUA, Sara destaca de pronto a envolvência do jogo. “Os treinadores são muito mais ligados à modalidade, as pessoas vão assistir aos jogos, é um ambiente fantástico. Um jogador vai muito mais motivado se for para um pavilhão onde tem 100, 200, 300 ou 1000 pessoas do que só os pais dos atletas”.

As diferenças não ficam por aqui. O culto da prática desportiva é vital na sociedade americana, contudo o sucesso dentro de campo tem de andar de mãos dadas com o aproveitamento escolar. “Desde que não faltemos com as responsabilidades do treino e da faculdade, estamos sempre livres. Mas eles têm sempre um olho em nós para ver se não estamos a sair da linha”, conta ao P3. E qual a receita para pôr o basquete nacional no rumo certo? “Os jogadores deviam levar o basket muito mais a sério e muitos dos treinadores que andam por aí deviam ter mais formação”.

Enquanto jogadora, hoje Sara descreve-se como “mais madura”, com melhor leitura de jogo e consistente no lançamento exterior, uma das suas principais armas, e na componente mental. Estamos perante a sucessora de Ticha Penicheiro? “Muitos dizem isso na brincadeira, mas eu respondo sempre a mesma coisa. Agora estou focada na faculdade, depois o que vier logo se resolverá”.