Dilma Rousseff critica países desenvolvidos na abertura da Rio+20

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Ban Ki-Moon e Dilma Rousseff na cerimónia de abertura Evaristo Sá/Reuters

Desde a semana passada que o Rio de Janeiro está tomado por uma série de eventos paralelos ligados à Rio+20. Mas é entre quarta e sexta-feira que governos de todo o mundo vão tomar a decisão final sobre um novo guião para o desenvolvimento sustentável – cujos termos foram já acordados na terça-feira, no documento "O futuro que queremos".

No seu discurso de abertura, Dilma Rousseff disse que é preciso agir rápido para conter os problemas globais. “Estamos aqui porque o mundo demanda mudanças”, afirmou. “O tempo é o recurso de maior escassez”, completou.

A Presidente brasileira fez críticas directas aos países desenvolvidos, dizendo que a “transferência das indústrias poluentes do Norte para o Sul” trouxe empregos mas “deixou uma pesada carga” sobre o ambiente. Afirmou ainda que as promessas de financiamento para que os países em desenvolvimento adaptem-se a um crescimento menos oneroso sobre o planeta “não se materializou nos níveis prometidos e necessários”.

Dilma Rousseff referiu ainda que os compromissos de redução de emissões assumidos pelo mundo industrializado no Protocolo de Quioto “não foram atingidos” e que o princípio das responsabilidades comuns mas diferenciadas “tem sido muitas vezes recusado na prática”.

Em poucas frases, a Presidente resumiu os pontos que têm alimentado a divisão Norte-Sul na arena internacional do ambiente e do desenvolvimento sustentável.

As mesmas divisões sentiram-se nos dias que antecederam o segmento de alto nível da Rio+20, mas as delegações que precederam os chefes de Estado e ministros acabaram por chegar a acordo, na terça-feira, quanto a um documento de 49 páginas e 283 parágrafos que será agora submetido à decisão final.

Dilma Rousseff referiu que o texto representa o consenso entre os países na Rio+20. “Representa antes de tudo uma decisão de não retroceder em compromissos que assumimos na passado”, afirmou. “Mas não bastam as conquistas do passado”, acrescentou, referindo avanços nalgumas áreas, numa interpretação que coincide com que se tem ouvido nos corredores da Rio+20.

O documento aposta na economia verde como instrumento importante para o desenvolvimento sustentável e diz que é preciso mais recursos para os países menos desenvolvidos, sem especificar quanto, nem de onde virá o dinheiro.

Também cria um fórum ministerial para a sustentabilidade no Conselho Económico e Social da ONU e lança um processo intergovernamental para discutir futuros “objectivos de desenvolvimento sustentável”.

Embora haja mais algumas novidades, o texto tem sido criticado pela falta de metas e datas concretas para pôr em prática o que estabelece.

Dilma Rousseff classificou a Rio+20 como “a maior conferência das Nações Unidas em termos de participação da sociedade civil” e apelou aos chefes de Estado e ministros presentes: “Caberá a nós demonstramos capacidade de liderar e de agir”.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon também apelou à acção, dizendo que o mundo não fez o suficiente desde a Eco-92 – a conferência sobre ambiente e desenvolvimento realizada também no Rio de Janeiro, em 1992. “Sejamos francos: os nossos esforços não estiveram à altura dos desafios”, afirmou Ban Ki-moon. “A natureza não espera”.

Notícia actualizada às 21h43A série Rio+20 é financiada pelo projecto PÚBLICO Mais