Duas dezenas em solidariedade com povo grego e contra austeridade no Rossio

Cerca de duas dezenas de pessoas concentraram-se hoje no Rossio, em Lisboa, em solidariedade com a “miséria” do povo grego e apelando a que os povos dos países europeus “repudiem” as dívidas públicas.

Rui Viana, membro do Comité para a Anulação da Dívida Pública Portuguesa, que organizou a concentração, disse à agência Lusa que “as causas que levam à austeridade e grande miséria” que afectam os gregos são “comuns a todos os países da Europa”.

“Não vejo que a diferença entre Portugal e Grécia, ao contrário do que dizem alguns políticos, seja assim tão grande”, declarou, acrescentando que é preciso “rever urgentemente” os processos de endividamento na Europa, porque “não se pode continuar a empobrecer a riqueza colectiva e a enriquecer a finança”.

Aos cidadãos, defendeu, cabe “manifestarem-se de todas as maneiras e feitios” e mostrar, nomeadamente ao Governo português, que “não pode continuar a seguir este tipo de políticas”.

Se na Grécia uma parturiente hoje já paga “900 euros” para fazer um parto num hospital público, a austeridade pode levar Portugal a seguir pelo mesmo caminho, alertou.

E Rui Viana não acredita na disponibilidade “dos credores e poderes públicos” europeus para se sentarem todos à mesma mesa 2 “renegociar seja o que for” sem que os povos europeus afirmam que “repudiam as dívidas”.

“A maior parte da dívida é ilegítima, não faz sentido que sejam os trabalhadores a pagá-la” e não se lhes pode pedir que suportem “a destruição da economia, os problemas na saúde, educação e o aumento exponencial do desemprego”, afirmou.

O Comité, que defende a “anulação das medidas de austeridade acordadas com a ‘troika’”, contou ainda com a ajuda de alguns membros do Movimento 15 de Outubro na feitura de uma faixa afixada na parte central do Rossio, exibindo essa mesma mensagem.