Em S. João da Madeira, a Internet sem fios passa a ser gratuita para todos

Rui Costa, vice-presidente da autarquia, fala em igualdade de oportunidades no acesso ao conhecimento
Foto
Rui Costa, vice-presidente da autarquia, fala em igualdade de oportunidades no acesso ao conhecimento

Nasceu o primeiro concelho português com total cobertura wireless. Um serviço que custará 586 mil euros nos próximos três anos, valor comparticipado em 80% por fundos comunitários e em 20% pela câmara
.

O concelho mais pequeno do país é hoje a primeira cidade portuguesa com cobertura wireless em todos os suportes de acesso à Internet, sem cobrar nada aos utilizadores. Nos oito quilómetros quadrados do concelho de S. João da Madeira, há wireless de acesso público e gratuito em quase 200 pontos, que permitem uma cobertura em bairros sociais, escolas, áreas residenciais e empresariais, parques de lazer ou esplanadas de cafés. A câmara acredita que tem um poderoso instrumento de desenvolvimento económico e social nas mãos.

Rui Costa, vice-presidente da autarquia, fala em igualdade de oportunidades no acesso ao conhecimento, em competitividade, em captação de investimento. "Temos de mostrar que o território é atractivo, que aqui as pessoas têm qualidade de vida. Inovação e inclusão social fazem parte da estratégia do município", afirma. "Sendo a inovação uma marca de S. João da Madeira, pareceu-nos importante implementar uma rede sem fios de acesso gratuito. Trata-se de um contributo para a democratização de uma ferramenta poderosa como é, hoje em dia, a Internet", adianta Rui Costa. A densidade populacional foi uma das principais razões para avançar com o projecto. O concelho tem cerca de 23 mil habitantes, número que estica durante o dia por motivos profissionais e de lazer.

Sanjonet - Rede Municipal Sem Fios de Acesso à Internet é o nome desta ferramenta, que custará 586 mil euros, 80% comparticipados por fundos comunitários, durante os próximos três anos. O projecto é apresentado hoje nos Paços da Cultura de São João da Madeira, com as presenças do ministro dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, do administrador da Optimus, Manuel Ramalho Eanes, e do presidente da câmara, Castro Almeida.

Rui Costa está seguro das vantagens. "Este serviço gera uma rede comunitária. Imaginemos que um estudante está em sua casa e precisa de fazer um trabalho de grupo com os colegas. Encontrando sinal, poderá partilhar informação nessa rede sem passar pela Internet", exemplifica. "Um aluno poderá ter um Magalhães, mas depois é preciso haver um acesso à Internet e poderá haver famílias que não tenham condições de o assegurar", acrescenta.

Igualdade de oportunidades é também um objectivo que se pretende atingir. "Cada vez mais, a Internet é um instrumento de inclusão social, de combate à solidão, de acesso à informação." "Consideramos que era importante dar esse passo e houve um particular cuidado quanto ao acesso a esta rede nos bairros sociais", refere o vice-presidente da autarquia. Numa primeira fase, depois de se perceber quais as zonas mais procuradas, poderá ser necessário reforços de largura de banda. Até agora, foram detectadas boas velocidades em mais de 85% dos pontos disponibilizados. "Não podemos assegurar que haverá Internet metro a metro, poderá haver necessidade de fazer pequenas deslocações para captar o sinal", avisa Rui Costa.

Ao entrar num mercado concorrencial, a autarquia garante que foi cuidadosa. Abriu um concurso público internacional e o serviço acabou por ser adjudicado à Optimus, que ficará responsável pela rede e toda a gestão. "Comunicámos à Anacom a intenção que tínhamos, mas nunca recebemos uma resposta relativamente a esta matéria. A partir do momento em que o concurso público referia expressamente que o serviço teria de ser adjudicado a um operador, a questão da concorrência estará salvaguardada", afirma Rui Costa.

O autarca realça ainda o facto de a rede permitir a partilha de informação sem passar pela Internet e de funcionar como "um campo de experimentação para diversas soluções". Nesse sentido, a câmara quer disponibilizar serviços municipais, e não só, que permitam, por exemplo, efectuar a telecontagem do consumo de água e electricidade ou criar uma rede de telemedicina de forma a acompanhar os idosos. Para isso, há um protocolo assumido entre a autarquia e o Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores (INESC) do Porto. "O INESC vai desenvolver alguns produtos e serviços que gostaria de experimentar numa rede de Internet", adiantou Rui Costa.