“Ou nos salvamos a nós ou ninguém nos salva”, diz Sampaio da Nóvoa

O reitor da Universidade de Lisboa começou o seu discurso na sessão solene do Dia de Camões dirigindo-se aos portugueses em situação de desemprego e pobreza, lamentando que Portugal tenha regressado a uma situação de desigualdade de que levou tanto tempo a libertar-se.

“Quando pensávamos que este passado não voltaria mais, eis que a pobreza regressa, agora sem as redes das sociedades tradicionais. Começa a haver demasiados ‘portugais’ dentro de Portugal, demasiadas desigualdades”, constatou.

Mas, se entende que a tempestade não é passageira, Sampaio da Nóvoa também recusa a inevitabilidade. “Precisamos de alternativas, há sempre alternativas”, frisou. Para o professor, o futuro “está no reforço da sociedade e na valorização do conhecimento, está numa sociedade que se organiza com base no conhecimento”.

Sampaio da Nóvoa não escamoteia a importância do destino europeu: “A Europa não é uma opção, é a nossa condição”. Mas a União, em seu entender, precisa de uma nova divisa: “Liberdade, diversidade, solidariedade”.

Mas se a Europa é o nosso futuro, o reitor pede aos portugueses que não se iludam: “Ou nos salvamos a nós ou ninguém nos salva”, proclamou, citando o escritor Manuel Laranjeira. E para o problema de organização que diz que Portugal tem dentro de si, preconiza a “organização da sociedade com base na valorização do conhecimento”.

“Insisto. Apesar de todos os contratempos, Portugal tem hoje uma capacidade instalada, nas universidades e na ciência, que nos permite sair de uma posição menor, periférica, e superar o fosso tecnológico que se cavou entre nós e a Europa”, disse.

Para concluir: “É por aqui que passa o nosso futuro, pela forma como conseguimos ligar as universidades e a sociedade, pela forma como conseguirmos que o conhecimento esteja ao serviço da transformação das nossas instituições e das nossas empresas”.