Espanha

Rajoy garante que as suas reformas salvaram o país de uma "intervenção" externa

Rajoy recusou qualquer ideia de que tivesse sido objecto de pressões dos parceiros europeus
Foto
Rajoy recusou qualquer ideia de que tivesse sido objecto de pressões dos parceiros europeus Paul Hanna/Reuters

O primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, afirmou neste domingo que, se o seu Governo não tivesse actuado como actuou para reformar a economia e reduzir o défice orçamental, o país teria sido objecto de uma "intervenção" da zona euro.

"Se não tivéssemos feito o que fizemos nestes cinco meses para ganhar a credibilidade dos parceiros, o que teria acontecido ontem teria sido uma intervenção no Reino de Espanha", afirmou em Madrid.

Rajoy exprimia-se em conferência de imprensa para se congratular com a decisão tomada no sábado pelos ministros das finanças da zona euro de conceder a Madrid um empréstimo até 100 mil milhões de euros para recapitalizar os bancos em dificuldades.

O presidente do Governo, que há dez dias garantia que o país não precisava de ajuda dos parceiros da zona euro, teve o cuidado de afastar qualquer ideia de humilhação nacional, incluindo ao recusar qualificar a decisão dos Dezassete, a que se referiu sempre como "o que ocorreu ontem". Quando questionado sobre as razões porque não se refere à ajuda como um resgate do país, respondeu: "não entro em debates sobre denominações, não tem qualquer sentido".

Para Rajoy, a ajuda europeia resume-se à abertura de uma "linha de crédito" para os bancos que necessitarem de reforço de capital, que não implica "condicionalidade macroeconómica para o nosso país" (como acontece em Portugal, Grécia e Irlanda).

De forma surpreendente, o chefe do Governo garantiu por outro lado que a linha de crédito "não afecta o défice orçamental", entrando em contradição directa com o seu ministro das finanças: Luis De Guindos afirmou no sábado que os juros dos empréstimos aos bancos serão contabilizados no défice.

Rajoy recusou, igualmente, qualquer ideia de que tivesse sido objecto de pressões dos parceiros europeus para acelerar a resolução dos problemas do sector bancário, cujas fragilidades constituem um dos grandes motivos de desconfiança dos investidores relativamente à zona euro.

"A mim, ninguém me pressionou", afirmou, acrescentando: "não sei se deveria dizer isto, mas quem pressionou fui eu porque queria uma linha de crédito para resolver um problema". "Não foi fácil", disse. Mas, insistiu, "o que aconteceu ontem foi uma mensagem nítida e clara de que o euro é um projecto irreversível".

Rajoy responsabilizou igualmente de forma implícita o seu antecessor socialista José Luis Rodriguez Zapatero por não ter feito o que o seu governo teve agora de fazer deixando instalar-se a dúvida sobre a solidez da banca espanhola. O que foi feito ontem "deveria ser sido feito há três anos" de modo a que "não houvesse dúvidas sobre o nosso sistema financeiro", acusou.

Rajoy esclareceu igualmente que viajará estar tarde para a Polónia para assistir ao jogo entre a Espanha e Itália do Euro2012. "Claro que se a situação não estivesse resolvida não iria", afirmou. "Vou porque creio sinceramente que devo ir" e que "a selecção merece-o", disse.

Sugerir correcção