Primeiro-ministro não afasta renegociação das condições de resgate com a União Europeia

Passos Coelho diz que por ora não há razões para renegociação
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Primeiro-ministro voltou a prometer não deixar ninguém para trás Nelson Garrido

O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, não afastou a hipótese de virem a ser discutidas e renegociadas as condições em que Portugal está a ser intervencionado pela União Europeia e mediante as quais obteve empréstimos no total de 78 mil milhões de euros, assinando um memorando de entendimento que aponta um programa de austeridade.

“Estaremos atentos para ver como é que depois o programa específico para a banca espanhola se vai processar e, se houver alguma condição excecional que deva ser partilhada com os outros países que estão sob assistência, não tenho dúvida de que isso acontecerá”, afirmou o primeiro-ministro hoje, no final das cerimónias do 10 de Junho que decorreram em Lisboa.

Passos Coelho começou por dizer aos jornalistas que “não há nenhuma razão para pedir novas condições para Portugal”, acrescentando que “Portugal está disponível para resolver a situação de Espanha”. Sobre o facto de o Governo irlandês ter anunciado que quer renegociar as suas condições de empréstimo com a União Europeia, Passos Coelho apenas comentou: “Não tenho conhecimento de que Governo irlandês tivesse tomado decisão dessas.”

Imediatamente ante e também à saída do Centro Cultural de Belém, onde decorreram as cerimónias do 10 de Junho, o líder do PS, António José Seguro, tinha desafiado o primeiro-ministro a “exigir” a renegociação dos empréstimos a Portugal.

Começando por questionar “em que consiste?” e “a que preço?” a Espanha ia ser intervencionada, Seguro considerou que o resgate sem condições a Espanha era uma forma de a União Europeia reconhecer que a “austeridade não é caminho”. E defendeu que “não pode haver Estados de primeira e Estados de segunda”, pelo que este é o “momento d clarificação”. E afirmou ser necessário perceber como é que se “é tão rápido em resgatar em Espanha e tão lento” a resolver o problema do desemprego na Europa. E frisou ainda que a “Espanha conseguiu empréstimo com juro a 3%”, quando, refira-se, os juros que Portugal paga são em geral superiores.

Em nome do CDS-PP, o deputado João Almeida declarou ao PÚBLICO que “é importante que a resposta à situação espanhola seja rápida e permita resolver o problema”, frisando que é importante Portugal cumprir o Memorando “para não correr riscos no futuro”. Quanto a uma eventual renegociação da posição portuguesa, João Almeida disse que “é preciso analisar e ver as condições que têm a ver com Portugal, nomeadamente com os empréstimos para o sector financeiro, que são comparáveis”. E sublinhou, porém , que o caso espanhol é mais próximo do irlandês do que do português e que “já houve situações em relação aos juros em que Portugal beneficiou de mudanças em relação à Grécia”.

Já o secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, relativizou, segundo a agência Lusa, a utilidade do auxílio à Espanha: “Por mais que injectem dinheiro na banca, tendo em conta as quantidades de lixo tóxico que continuam a ter, e isto é a ponta do icebergue, creio que é a mesma coisa que agarrar num jarro de água e ir regar o deserto.”

Para Jerónimo de Sousa, “isto revela até onde vai a crise do capitalismo e do próprio sistema em que se enredou nas suas contradições, nos seus limites, porque esta sangria desatada de dinheiro dos povos, dos países para sustentar a banca e nunca resolvendo o problema, demonstra a profundidade dessa crise.”

O líder comunista considerou ainda que, “tanto em Espanha como em Portugal, como na Irlanda ou na Grécia, sem uma ruptura com este caminho para o desastre, os povos não conseguem alcançar um processo de desenvolvimento sustentado, duradouro, de progresso e justiça social.”

Notícia actualizada16h17

Acrescentadas as declarações do deputado do CDS-PP João Almeida

17h13

Acrescentadas as declarações do líder comunista, Jerónimo de Sousa