A Quetzal publica as obras de David Foster Wallace a partir de Novembro

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Vasco Telles de Menezes, um dos tradutores, diz que Infinite Jest é um puzzle complicado de desmontar primeiro e de voltar a montar a seguir

Infinite Jest, do norte-americano David Foster Wallace 1962 -2008) vai ser publicado em Novembro pela Quetzal que continuará a publicar toda a obra do escritor. O livro, A Piada Infinita, foi traduzido por Salvato Telles de Menezes e Vasco Telles de Menezes.

É a primeira vez que pai e filho trabalham juntos numa tradução. Optaram por dividir o livro que tem na versão original cerca de mil páginas a que se juntam 100 de notas. No Ípsilon, a 8 de Outubro de 2010, o crítico Rui Catalão escrevia: "Não está traduzido em português. Este artigo é uma ternurenta forma de pressão (de que estão à espera, miseráveis?)". E acrescentava, numa nota, "em França, onde a obra de David Foster Wallace tem vindo a ser publicada, Infinite Jest permanece inédito (é preciso um louco para traduzir um trabalho de loucos)". O livro já está traduzido em Espanha e na Alemanha.

David Foster Wallace foi professor universitário e autor de romances, contos e ensaios. "O primeiro romance, The Broom of the System, surgiu em 1987, mas foi com a publicação do colossal "Infinite Jest", em 1996, que inscreveu definitivamente o seu nome na história da literatura norte-americana.", explica a nota de imprensa da Quetzal. Suicidou-se em 2008, sucumbindo a uma depressão. Em 2011 foi publicado postumamente The Pale King, manuscrito "incompleto e desordenado", foi encontrado na garagem onde se o escritor se suicidou.

No Ípsilon de 2 de Setembro de 2011, o crítico Rogério Casanova considerou Infinite Jest "um dos romances-evento da década, e um marco literário sobre o qual é possível recorrer com alguma confiança ao velho chavão sobre a ficção americana nunca mais ter voltado a ser a mesma: a fasquia para os sucessores fora elevada à altura de um arranha-céus." E acrescentava: "Tematicamente, "Infinite Jest" agrega múltiplos projectos - vício, entretenimento, tecnofilia, terrorismo, talento, solidão - que convergem num único ponto: a dificuldade de estabelecer ligações pessoais significativas".

Vasco Telles de Menezes disse a este suplemento que traduzir Infinite Jest é um desafio porque a linguagem é "sui generis", mistura coloquialismo com oralidade, existem personagens que são de estratos sociais diferentes e falam de maneira diferente. Há nos seus livros um turbilhão de ideias, muitas referências à cultura popular, à mitologia, etc, o que implica que seja feita muita pesquisa à medida que se vai traduzindo. "Implica preparação página a página. É um puzzle complicado de desmontar primeiro e de voltar a montar a seguir", explica. Lembra que o tradutor o alemão demorou quatro anos a traduzir este livro.