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A Supertaça espanhola vai passar a ser uma prova para chinês ver

Troféu passa a ser disputado na China
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Troféu passa a ser disputado na China Foto: Reuters

Depois de Itália, é a vez de Espanha se deixar seduzir pelos encantos financeiros da Ásia. A Real Federação Espanhola de Futebol (RFEF) chegou ontem a acordo com a empresa United Vansen International Sport e aceitou disputar cinco das próximas sete edições da Supertaça em território chinês. Em troca, entrarão nos cofres do organismo cerca de 32 milhões de euros.

Promover uma competição interna fora de portas não é uma experiência nova. Em 2009, o troféu que opunha o vencedor da Série A ao da Taça de Itália desenrolou-se em Pequim, no Ninho de Pássaro, o mítico estádio que serviu desde aos Jogos Olímpicos de 2008. Na verdade, embora noutro patamar, até a Supertaça Cândido de Oliveira já chegou a ter como palco o Parc des Princes, em Paris: aconteceu nas finalíssimas de 1994 e de 1995, entre FC Porto e Benfica e Sporting e FC Porto.

O caso de Espanha, porém, tem outros contornos. A relação dos emblemas espanhóis com o mercado asiático já começou a construir-se há vários anos e tem tido nas digressões de pré-temporada do Real Madrid um dos melhores exemplos.

Para a preparação da época 2011-12, a equipa de José Mourinho viajou, em Agosto, até à China, onde foi recebida de forma entusiasta por milhares de adeptos da modalidade. Os adversários não ofereceram grande resistência (7-1 ao Guangzhou Evergrande e 6-0 ao Tianjin Teda), mas a dimensão do fenómeno "merengue" não terá deixado ninguém indiferente. Muito menos quando a fidelidade dos adeptos chineses foi alvo de um "teste" mais sério.

Num jogo da 12.ª jornada da Liga, frente ao Osasuna, marcado para as 12h (hora espanhola) - que correspondem às 19h chinesas - e transmitido na China, as audiências atingiram os 60 milhões de espectadores, de acordo com dados da Beijing TV. Um dado tão mais impressionante quanto o facto de a partida não ter tido transmissão a nível nacional, no canal CCTV5, mas apenas regional.

Emilio Butragueño, responsável pelas relações institucionais do clube, descreveu bem o objectivo da digressão que marcou o arranque da temporada em que José Mourinho se sagrou pela primeira vez campeão espanhol. "Isto é mais do que uma mera pré-época. Temos mais de 100 milhões de adeptos na China e trata-se de uma grande oportunidade de estarmos em contacto com eles e agradecermos o seu apoio", vincou, assumindo depois que o Real Madrid pretendia "explorar a melhor forma de ajudar a desenvolver o futebol" no gigante asiático.

Quatro milhões a mais

É este potencial, que não se esgota no maior emblema da capital, já que o Barcelona goza de grande prestígio junto dos chineses, que leva a RFEF a ajustar-se à procura global, até porque o futebol espanhol atravessa um momento delicado - os clubes somam dívidas colossais ao fisco e as dificuldades de financiamento continuam a agravar-se.

O contrato que, segundo a imprensa espanhola, valerá 32 milhões de euros (parte deste valor será dividido entre os dois finalistas), representa um acréscimo de quatro milhões face à receita arrecadada pela federação italiana, cujos dirigentes também em 2011 rumaram a Pequim para a assistir à Supertaça (o Milan derrotou o Inter por 2-1, perante 70 mil espectadores). Mas o acordo só produzirá efeitos a partir de 2013, uma vez que o calendário desportivo deste ano, com Campeonato da Europa e Jogos Olímpicos de Londres incluídos, está já demasiado preenchido.

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