Vince Garcia / Flickr
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Ou começamos a discutir política ou iremos mudar de regime

É absolutamente necessário que os partidos defensores das democracias liberais regressem a um discurso inclusivo, de claras e objectivas opções políticas.

Durante os últimos anos, existiu, particularmente nos países do sul da Europa, uma desistência da política no debate público. Como é bem visível analisando a globalidade do espaço mediático de países como Portugal, Grécia, Espanha ou Itália, o debate público está absolutamente reduzido à palavra austeridade, causando, inevitavelmente, medo nas massas populares.

É certo que nesta sociedade europeia cada vez mais individualizada, o conceito de massa popular é cada vez mais difuso, mas também é claro para todos os observadores que existe uma "malaise" comum aos povos do sul da Europa.

Esses sintomas são visíveis em discursos antipolítica e antissistema, que é cada vez mais generalizado, e que já foi consumado nas votações em partidos como a Aurora Dourada helénica, a Frente Nacional gaulesa ou em figuras italianas que baseiam o seu programa político numa lógica de varrer todos os partidos.

É absolutamente necessário que os partidos defensores das democracias liberais regressem a um discurso inclusivo, de claras e objectivas opções políticas. Não poderá continuar por muito mais tempo uma lógica discursiva baseada num só tema e numa só palavra.

É certo que os acordos da Troika e da Comissão Europeia (que em cada país têm a sua versão de implementação) são o ponto mais decisivo da ação política. Contudo, será que oito mil milhões de euros de orçamento para a Educação ou mais de mil milhões para a Justiça não serão suficientes para poder haver discussão entre as diferentes opções políticas?

O que a História nos ensina é que em momentos de medo e de um discurso único a democracia liberal tende a morrer. Nesta era da comunicação global, a morte da democracia liberal não será por via clássica dos "putschs". Será antes um processo lento, que começará pela falta de ideias e de ideais.

O caldo de cultura instalado vai levar à morte da democracia liberal, devido ao medo. Ou mudamos e começamos a discutir política ou iremos mudar de regime.