Instabilidade na zona euro leva a nova queda das bolsas

Indefinição na Grécia está a provocar abalos na zona euro
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Indefinição na Grécia está a provocar abalos na zona euro Foto: Nuno Ferreira Santos

O PSI 20 fechou em mínimos de Agosto de 1996, a perder 2,66% para 4.759,94 pontos, em linha com as principais praças europeias. Em Madrid, o espanhol Bankia fechou a cair 14%.

O BES destacou-se pela negativa no PSI 20, com uma descida de 9,4% para 0,48 euros, atingindo mínimos históricos. As cotadas ZON, EDP Renováveis e Sonae Indústria também registaram fortes perdas. Entre os ‘pesos pesados’, as energéticas EDP e Galp caíram 5,06% e 3,08% para 1,82 e 10,06 euros, respectivamente. Ainda que mais moderadas nas descidas, desempenho negativo tiveram também Jerónimo Martins, a ceder 1,36% para 13,47 euros, e a Portugal Telecom, a recuar 0,76% para 3,91 euros.

“Se pudesse resumir numa frase diria que os movimentos a que se assistem nas praças periféricas não são mais do que a concretização de um fluxo da periferia para o centro”, disse à Lusa Filipe Garcia, da Informação de Mercados Financeiros (IMF), acrescentando que os investidores estão menos dispostos a aceitar riscos e estão a cortar apostas em países ditos periféricos, como Portugal, Espanha, Itália e Grécia, passando a apostar em mercados vistos com maior segurança.

As cotadas ZON, EDP Renováveis e Sonae Indústria também registaram fortes perdas, superiores a 6%, tendo a energética atingido mínimos históricos, disse à lusa Pedro Oliveira da GoBulling.

Desde o começo do ano, revelou Filipe Garcia, o PSI-20 já perdeu 13,3%, com múltiplas empresas a sofrerem quebras para lá dos 20%. “Aquilo que os investidores no mercado português estão a descontar já é que se a Grécia puder sair [do euro] poderá haver um efeito de contágio e nós poderemos ser os próximos”, explicou à Lusa o elemento da GoBulling.

Assim, os investidores podem estar a “fechar posições longas” que possam ter em Portugal, ou seja, apostas de longo prazo que tenham feito em títulos listados no PSI-20.

Por outro lado, Pedro Oliveira reconhece o impacto que pode ter sido causado por notícias menos positivas sobre a EDP e EDP Renováveis, bem como a questão do aumento de capital do BES.

“As pessoas estão bastante preocupadas com os depósitos na Grécia e têm de ter noção que isso é um comportamento que se pode espalhar”, afirmou Filipe Garcia, referindo-se à pressão sentida sobre o sistema financeiro.

Na Europa, o cenário foi tudo menos positivo, com vários bancos a sofrerem impactos negativos nas cotações. O destaque do dia foi o espanhol Bankia, depois de o El Mundo ter noticiado que os clientes tinham levantado mais de mil milhões de euros do banco na semana passada. O Governo espanhol e a administração da instituição financeira negaram a existência de uma fuga de depósitos, mas as acções fecharam com uma descida de 14%, nos 1,422 euros, depois de terem chegado a desvalorizar 30%. Isto num dia em que Espanha pagou juros mais elevados para colocar dívida pública (mais 50% do que há perto de dois meses em duas emissões de obrigações a médio prazo), e em que a Moody’s avisou que vai descer, esta quinta-feira à noite, o rating do sector bancário deste país.

Esta tarde, a agência de notação financeira já desceu o rating a quatro regiões autónomas , baixando os da Catalunha e Múrcia para “lixo” e os da Extremadura e Andaluzia para notas negativas. A agência explicou que a descida se deve à fraca evolução fiscal em 2011 nestas comunidades, sendo “escassa” a possibilidade de que os governos regionais consigam cumprir o objectivo de défice fixado para este ano, de 1,5% do PIB.

A praça de Madrid fechou a perder 1,11%, a de Milão 1,46%, a de Frankfurt 1,18%, a de Londres 1,24%, a de Atenas 1,61%, e a de Paris 1,20%. Em França, o Crédit Agricole desceu para um mínimo histórico, de três euros, após uma queda de 3,51%. “O euro stress está de volta”, afirmou Trevor Greetham, gestor da Fidelity Worldwide Investment, numa nota aos clientes, citada pela Reuters. “A falta de coordenação política está a suscitar o receio de uma saída da Grécia do euro e o contágio a outras economias periféricas”, acrescentou este responsável.

Depois de se saber que o BCE tinha interrompido os empréstimos a alguns bancos gregos, hoje o FMI afirmou que apenas irá reunir-se com o executivo que for escolhido na sequência das novas eleições convocadas para 17 de Junho, suspendendo os contactos com Atenas até essa altura, não se mostrando assim disponível para cooperar com o governo de transição que hoje assumiu funções. Já o presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, afirmou hoje que a UE vai “fazer tudo” para a Grécia continuar no euro, que é um “projecto de paz e reconciliação”, mais do que uma “união monetária.