Carlos Gomes Júnior e Raimundo Pereira pedem regresso da ordem constitucional

Rui Duarte Barros nomeado primeiro-ministro do governo de transição da Guiné-Bissau

Raimundo Pereira e Carlos Gomes Júnior chegaram nesta quarta-feira a Lisboa
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Raimundo Pereira e Carlos Gomes Júnior chegaram nesta quarta-feira a Lisboa Enric Vives-Rubio

O presidente do governo de transição da Guiné-Bissau, Manuel Serifo Nhamadjo, nomeou o economista Rui Duarte Barros como primeiro-ministro. O chefe do governo deposto pelo golpe militar, Carlos Gomes Júnior, criticou a nomeação. “Este é um governo que não reconhecemos”.

Um mês após o golpe militar de 12 de Abril, que depôs o governo de Carlos Gomes Júnior, Serifo Nhamadjo nomeou para a liderança do governo de transição um antigo ministro das Finanças que foi também responsável da União Económica e Monetária da África Ocidental. Rui Duarte Barros é considerado próximo do Partido de Renovação Social do antigo presidente Kumba Ialá, que antes do golpe militar era o líder da oposição e que se recusou a disputar a segunda volta das presidenciais em que Carlos Gomes Júnior era favorito.

Esta nomeação ocorre depois de os representantes dos golpistas terem, na sequência da mediação da Comunidade Económica dos Países da África Ocidental (Cedeao), aceite um período de transição de um ano até à realização das próximas eleições, o qual foi aceite por 35 partidos políticos com excepção do PAIGC, que estava no poder quando Gomes Júnior e o Presidente Raimundo Pereira foram detidos pelos militares.

O primeiro-ministro e o Presidente que foram depostos pelos militares chegaram nesta quarta-feira a Lisboa, onde manifestaram uma clara oposição ao governo de transição. “É um governo que não reconhecemos”, disseram em declarações aos jornalistas nas instalações da Comunidade dos Países da Língua Portuguesa (CPLP). “Exigimos o retorno da ordem constitucional. Eu sou o primeiro-ministro legitimamente eleito”, disse Carlos Gomes Júnior.

Também Raimundo Pereira salientou que nunca renunciou ao seu cargo de Presidente interino e considerou “inconstitucional” a nomeação de outra pessoa, Serifo Nhamadjo. “Sem menosprezar os esforços da CEDEAO, quero reafirmar que defendemos o restabelecimento da ordem constitucional com todas as autoridades que estavam em funções antes do golpe de Estado”, adiantou.