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Jason deCaires, esculturas no fundo do oceano

São centenas de esculturas colocadas no fundo do mar. Jason deCaires, o escultor inglês que vive no México, é o responsável pela ideia de juntar água e arte

Se vos perguntassem se queriam ir a uma exposição de escultura para a qual tinham que vestir um fato de mergulhador, provavelmente pediriam para repetir a pergunta. “Devem estar a brincar comigo.” Mas é possível no Museu Subaquático de Arte, cuja sigla é uma oportuna MUSA.

Jason deCaires Taylor é conhecido internacionalmente por ser um eco-escultor. Cresceu entre a Europa e a Ásia o que lhe proporcionou uma bagagem de influências eclécticas fora de comum. Durante a infância, passava muito tempo nos corais da Malásia que cultivaram nele uma grande paixão pelo oceano e pelo mundo natural.

Hoje em dia, cria esculturas que são colocadas no fundo do mar e, em torno das quais, se vão gerando corais que servem de casa para milhares de espécies, algumas em risco. É uma espécie de serviço imobiliário aliado à arte a muitos metros de profundidade e a cerca de 300 e 400 metros da costa.

Depois de ter sido instrutor de mergulho ao longo de alguns anos e em várias partes do globo, desenvolveu um interesse profundo pela conservação subaquática. Aliado ao gosto pela produção de arte em espaços públicos — que alimentou enquanto "graffiter" — e ao curso superior em Escultura e Cerâmica que tirou com honras no Instituto de Artes de Londres, nasceu este projecto de esculpir um tipo de cimento próprio e mais resistente para poder ser colocado nas profundezas do mar.

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São esculturas em tamanho real, sobretudo de seres humanos. Ao longo de um ano e meio, produziu 400 esculturas em parceria com uma equipa de biólogos, engenheiros, mergulhadores e quatro assistentes.

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Evolução silênciosa

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A primeira instalação aconteceu em 2006, na ilha de Granada, no mar das Caraíbas. A mais recente foi em Cancun, onde actualmente reside, e chama-se “Evolução Silenciosa”.

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Um dos objectivos é que, a partir das esculturas, se formem naturalmente recifes que atraiam criaturas que tinham abandonado as áreas devido à escassez dos mesmos. Deixa de ser a arte pela arte para ser a arte com um sentido de desenvolvimento sustentável e turístico. Uma ideia bonita e útil tendo em conta que há milhares de recifes ameaçados pela poluição, aquecimento global e excesso de pesca.

E que tipo de pessoas podemos encontrar no fundo do mar? Não será a pequena sereia, mas Taylor inspirou-se em pessoas comuns do mundo inteiro, como uma freira, uma criança, pescadores, carpinteiros, entre outros. Nos semblantes pode ler-se uma expressão desassossegada mas confiante quanto à resolução dos problemas ambientais. Para além da figura humana, também há pianos, mesas, telefones, sofás, televisões, cinzeiros e até um Carocha. Não admira que os peixes se mudem para lá.