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Imaginarius para além do “foguetório”

Festival Internacional de Teatro de Rua regressa a Santa Maria da Feira de 25 a 27 de Maio

O 12.º Imaginarius, que se realiza de 25 a 27 de Maio, em Santa Maria da Feira, integra cerca de 70 encenações de 50 produções distintas — por 37 companhias de oito países — e “deixa de ser só foguetório para também ter conteúdo”.

Hugo Cruz é um dos elementos da nova direcção desse Festival Internacional de Teatro de Rua e declarou à Lusa que o evento consolidou a sua rede de parcerias com entidades como Serralves, a Gulbenkian, a Casa da Música, a Capital Europeia da Cultura e o Festival Internacional de Marionetas do Porto, pelo que “meses de trabalho intenso” vão agora culminar num “programa mais festivo, que, reforçando a aposta nas grandes produções estrangeiras e no envolvimento das estruturas artísticas locais, recupera o que o festival foi perdendo de melhor ao longo dos anos”.

Seja ao nível das produções de companhias e artistas de reputação internacional, como a PanOptikum, a Cirque Hirsute, Lee Beagley, Carlo Boso e a Grotest Maru, seja no que se refere à programação do Mais Imaginarius, com as suas cerca de 20 propostas de intervenção no espaço público, a edição de 2012 procura ainda “reflectir sobre a situação actual da humanidade e o seu contexto de vida”.

Na prática, isso significa que a programação do Imaginarius 2012 tanto envolve espectáculos sobre o universo da fantasia, como metáforas sobre temas tão contemporâneos quanto a guerra, os "reality shows", a gestão financeira e a exploração laboral. O objectivo, declara Hugo Cruz, é garantir que “o festival não seja só foguetório e uma atracção para as massas, mas sim um evento que, independentemente da sua componente lúdica, ofereça algum conteúdo às pessoas” que assistem.

José Manuel Cardoso é outros dos elementos da nova direcção de conteúdos do Festival Internacional de Teatro de Rua de Santa Maria da Feira e revela que, no essencial, a programação deste ano aposta em três eixos principais: a oferta formativa para companhias e artistas locais, a criação de espectáculos concebidos de raiz para envolverem centenas de pessoas da comunidade e a apresentação de produções próprias por parte de entidades locais.

Mais espectáculos em mais tempo

Se da edição do ano passado para a de 2012 “é evidente um aumento da oferta”, José Manuel Cardoso assegura que, ainda assim, houve o cuidado de evitar a sobreposição de espectáculos e de garantir condições de visibilidade à plateia nos espaços públicos condicionados pela disposição dos edifícios e do mobiliário urbano da envolvente. “Conseguimo-lo, ao alargar a programação para o período da manhã e ao seleccionar melhor o local das encenações”, explica.

Nesse sentido, a zona da Biblioteca Municipal vai ser rentabilizada, o parque de estacionamento da respectiva avenida passa a acolher um palco — decorrem nele, aliás, os dois espectáculos que, por questões de adaptação do espaço, obrigam à aquisição de um bilhete de dois euros — e novos pólos de interesse surgem também na estação de comboios e no antigo matadouro municipal.

O orçamento do evento continua a ser de 250 mil euros, mas Cristina Pedrosa, outra das novas directoras, assegura: “Vamos ter aqui o melhor de dois mundos — a produção local, que ao fim de 12 anos é mais forte e tem mais qualidade, e os espectáculos internacionais, que voltaram em grande”.

Teatro físico, artes circenses, música, dança e instalação são apenas alguns dos registos a explorar na edição deste ano e, por isso mesmo, Hugo Cruz defende que “o Imaginarius já é muito mais do que um mero festival internacional de ‘teatro de rua’”. Para esse responsável, “é tempo de se começar a pensar numa nova designação para o evento, porque o Imaginarius cresceu, transformou-se em algo muito maior e, na realidade, o que ele é agora é um festival de artes de rua — de todas as artes da rua, no seu sentido pleno”.