A notícia da morte de Vasco Granja ressuscitou três anos depois

Resultado da pesquisa no Google mostra a diferença temporal entre as notícias
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Resultado da pesquisa no Google mostra a diferença temporal entre as notícias DR

Notícia da morte de Vasco Granja de 2009 circulou como se fosse deste fim-de-semana

 Uma das notícias mais lidas nesta segunda-feira no PÚBLICO online tem três anos: a morte do apresentador Vasco Granja, em Maio de 2009, começou a circular no fim-de-semana como sendo actual e rapidamente se tornou viral.

Um fenómeno só possível graças ao potencial de partilha das redes sociais, como o Facebook. O próprio semanário Expresso, na sua edição online, fez uma notícia como se a morte tivesse ocorrido agora, citando o PÚBLICO de 2009. Mais tarde, e detectado o erro, o Expresso apagou a notícia, mas já era tarde de mais. O erro tornou-se ele próprio motivo de partilha nas redes sociais.

A ressureição de notícias antigas em sites noticiosos já criou embaraços a muitos jornais, que foram obrigados a alertar os leitores para o facto de que o que estavam a ler era antigo. Neste caso, a confusão começou porque o título da notícia reapareceu no site do PÚBLICO, na zona reservada às notícias partilhadas e recomendadas no Facebook.

Quem no último fim-de-semana entrou na homepage do PÚBLICO, sem estar autenticado no Facebook, deparava-se com a informação de que mais de 1900 pessoas tinham recomendado a notícia da morte de Vasco Granja. A data original do artigo não era visível e isso terá sido o suficiente para levar alguns leitores ao engano: quem não acedesse à notícia – e não soubesse que o popular apresentador e divulgador de banda desenhada e do cinema de animação já tinha morrido –, poderia pensar que se trataria de uma informação actual.

A popularidade do apresentador pode ter ajudado a difundir ainda mais o artigo nas redes sociais. 

No jornal "Expresso", também houve quem se tivesse enganado e tenha publicado no sábado um texto dizendo que Vasco Granja tinha morrido.

Para sustentar a informação, o semanário citava a notícia do PÚBLICO. “Quem estava de serviço errou e por isso, sendo um engano, a notícia foi retirada”, disse ao PÚBLICO Anabela Natário, coordenadora do site do Expresso, sem adiantar mais detalhes. Ou seja, o Expresso apagou a notícia errada, mas houve quem tivesse guardado uma imagem dela e a tenha levado até ao Facebook. O erro tornou-se ele próprio motivo de partilha.

O PÚBLICO está, entretanto, a avaliar as medidas possíveis para evitar que na zona reservada às notícias partilhadas e recomendadas no Facebook sejam exibidas notícias que tenham mais de 30 dias.

Casos em Espanha e Inglaterra

Casos destes, em que o jornalismo tropeça nas redes sociais, são frequentes e acontecem em contextos diferentes.

No final de 2011, o diário espanhol El País viu-se obrigado a explicar o estranho aparecimento de uma notícia de 2005 como a mais lida. Isto sucedeu logo a seguir à vitória de Mariano Rajoy nas eleições legislativas e a notícia que se destacou foi a de que o Partido Popular (PP), liderado por Rajoy, tinha levado ao senado um especialista que afirmava que ser gay era uma doença. 

A notícia foi lida e partilhada por milhares de leitores espanhóis, que também não se aperceberam do desfasamento temporal. “O que aconteceu é que, uma vez lançado na rede, milhares de internautas recomendaram e retwittaram o artigo, e isso fez com que tivesse ficado entre as notícias mais lidas do dia no site”, escreveu na altura a jornalista e provedora do leitor Milagros Pérez Oliva, destacando que as redes sociais são responsáveis por 65% do tráfego do site, sendo o Facebook o principal com 55%.

Em Inglaterra, também o The Guardian e o The Independent passaram por fenómenos semelhantes. O The Independent, por exemplo, teve várias histórias com mais de dez anos novamente no top das mais lidas e partilhadas como se fossem notícias novas. Segundo notou Tim Bradshaw, do Financial Times, as notícias recuperadas no Independent datadas de finais dos anos 90 eram, na sua maioria, “histórias bizarras e com títulos apelativos”, como a notícia de Sean, um rapaz de 12 anos e que se tinha tornado no “pai mais novo de sempre”. 

Para Christian Hernandez, responsável pela plataforma de parcerias do Facebook, uma vez publicadas, as notícias “estão sempre lá”. “O que significa que qualquer peça tem o potencial para ser redescoberta e posta novamente em circulação”, explicou a mesma responsável ao Financial Times

Notícia substituída às 16h40