Incidente na campanha presidencial

Activista da Greenpeace entrou em central nuclear francesa

A Greenpeace quis chamar a atenção para os riscos à segurança das centrais
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A Greenpeace quis chamar a atenção para os riscos à segurança das centrais Greenpeace/AFP

Um activista da organização ecologista Greenpeace entrou nesta quarta-feira na central nuclear de Bugey, no Centro de França, para alertar Sarkozy (UMP) e Hollande (PSF), candidatos que se defrontam na segunda volta das eleições presidenciais francesas, para os riscos desta energia.

“Às 7h40 (6h40, hora em Portugal), um activista chegou num parapente a motor à central nuclear francesa de Bugey, accionou um dispositivo que libertou fumo e depois aterrou no interior da central, onde foi detido”, disse a polícia do Departamento de Ain (a 35 quilómetros de Lyon), à agência AFP.

Um outro activista, no exterior do complexo nuclear, também foi detido. A polícia acredita que este estaria a ajudar o activista a orientar-se para aterrar no interior da central.

O facto de o activista, de nacionalidade alemã, ter conseguido entrar em espaço aéreo interdito e na central nuclear é prova da “vulnerabilidade das instalações nucleares a uma ameaça aérea”, segundo a Greenpeace em comunicado. A organização critica, nomeadamente, que França se recuse a analisar o risco da queda de aviões em centrais nucleares, como parte dos testes à segurança das centrais, como o fez a Alemanha. “A queda de um avião nunca foi levada em conta nem na concepção nem na exploração das instalações francesas”, acrescenta. Tal acidente poderia causar danos, ou mesmo o desabamento, dos edifícios onde estão os tanques de arrefecimento dos combustíveis radioactivos.

“O objectivo desta acção é enviar uma mensagem aos dois candidatos às eleições presidenciais a 6 de Maio (Nicolas Sarkozy e François Hollande) que negam o risco do nuclear. Quisemos ilustrar uma agressão externa, do género da queda de um avião”, disse a responsável pelas questões nucleares na Greenpeace francesa, Sophia Majnoni, à AFP.

A central de Bugey, que começou a funcionar na década de 1970, tem quatro reactores e nela trabalham 1200 pessoas.

A França é o país europeu com mais centrais nucleares, com um total de 58, das que produzem 75% da sua electricidade. No rescaldo do acidente nuclear de Fukushima, no Japão, em Março do ano passado, o Presidente Nicolas Sarkozy veio a público reafirmar a "pertinência" da escolha pelo nuclear e descartou qualquer referendo sobre o seu futuro.

Até Março deste ano estavam a funcionar na Europa 186 centrais nucleares.

Hoje, François Hollande disse ter "confiança na Autoridade de Segurança Nuclear", a quem cabe a responsabilidade de "todas as informações sobre a protecção das nossas centrais", citou a AFP.

A EDF, empresa pública que explora as centrais francesas, garantiu, em comunicado, que a "segurança das instalações" da central de Bugey "não foi posta em causa em nenhum momento". "As medidas de segurança que foram reforçadas no final do ano de 2011 permitiram uma detecção e apreensão imediata do autor da intrusão", acrescentou o grupo.

Notícia actualizada às 11h14