Biodiversidade

Descobertas 24 novas espécies de lagartos nas Caraíbas

Uma das 24 novas espécies encontradas nas ilhas das Caraíbas
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Uma das 24 novas espécies encontradas nas ilhas das Caraíbas Karl Questel/Penn State University

Foram descobertas 24 novas espécies de lagartos nas Caraíbas. Há 200 anos que não eram descritas tantas de uma só vez.

As espécies descritas nesta segunda-feira, na revista Zootaxa, pertencem à família Scincidae, uma das que tem mais lagartos, com cerca de 1200 espécies conhecidas. Os lagartos desta família terão chegado há 18 milhões de anos às ilhas das Caraíbas, vindos do continente africano, em cima de bocados de vegetação à deriva no oceano, conta Blair Hedges, biólogo da Universidade de Penn State, na Pensilvânia, e coordenador desta equipa.

As novas espécies foram identificadas através do estudo de espécimes de museus, de análises genéticas e da observação atenta dos próprios animais recolhidos na natureza. “Agora, um dos grupos mais pequenos de lagartos desta região do planeta tornou-se um dos maiores”, disse Blair Hedges, em comunicado.

Na verdade, todos os anos cerca de 130 espécies de répteis de todo o mundo são acrescentadas à lista de espécies conhecidas, através de dezenas de artigos científicos. Mas já desde o início do século XIX que não eram descritas mais de 20 espécies de uma só vez. “Ficámos completamente surpreendidos.”

Estes répteis do Novo Mundo são únicos entre os lagartos, porque produzem uma placenta semelhante à dos humanos, ou seja, um órgão que liga directamente a cria aos tecidos da progenitora que lhe fornece os nutrientes. “Existem outros lagartos que também dão à luz, mas apenas uma pequena fracção dos lagartos da família Scincidae produz uma placenta e tem um período de gestação que pode ir até um ano”, acrescentou Blair Hedges. Este período gestacional tão longo pode dar uma vantagem competitiva a predadores, uma vez que as fêmeas dos lagartos são, durante esse tempo, mais lentas e mais vulneráveis.

As 24 espécies só agora foram descobertas, porque já quase tinham desaparecido das ilhas no início do século XX, explica Hedges. “Desde essa altura que as pessoas quase nunca as viam e, por isso, era pouco provável que as estudassem.”

Metade das novas espécies agora identificadas já estará extinta ou à beira da extinção, alertam os investigadores. Mais do que o abate das florestas, a principal razão parece ser um pequeno carnívoro predador, da família dos sacarrabos, introduzido nas ilhas em 1872, vindo da Índia, para acabar com a praga que eram os ratos nas plantações de cana-de-açúcar.

Agora, os cientistas esperam utilizar estas informações para definir planos de conservação e estudar melhor as capacidades de adaptação dos lagartos da família Scincidae aos diferentes habitats.