Futebol profissional

U. Leiria: presidente defende abandono e diz que rescisão colectiva é um caso de polícia

União de Leiria deverá falhar os últimos jogos da temporada no campeonato da I Liga
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União de Leiria deverá falhar os últimos jogos da temporada no campeonato da I Liga Foto: Mário Caldeira/Arquivo

O presidente demissionário da Sociedade Anónima Desportiva (SAD) da União de Leiria, João Bartolomeu, considera que a rescisão colectiva dos futebolistas é um “caso de polícia". E entende que a U. Leiria deve abandonar o futebol profissional.

Na sexta-feira à noite soube-se que o plantel profissional leiriense, que disputa a I Liga, decidiu rescindir unilateralmente os contratos de trabalho, dado o avolumar de salários em atraso. Como consequência disso, a equipa já não irá defrontar o Feirense, neste domingo, em partida da 28.ª jornada.

A rescisão colectiva é duramente criticada por João Bartolomeu, líder da SAD que se demitiu em meados de Abril. “Alguns jogadores esquecem que receberam adiantamentos quando assinaram os contratos. É um assunto jurídico e é um caso de polícia. Há 80 por cento dos clubes com ordenados em atraso, mas escolheram o Leiria como o elo mais fraco e estão a abatê-lo”, sustentou João Bartolomeu, em declarações feitas no final da reunião da Assembleia Geral da SAD, na Marinha Grande.

Segundo o mesmo responsável demissionário, a União de Leiria é o “bode expiatório” e a rescisão não foi feita “levianamente”. Bartolomeu apelou a que se investigue a situação da União de Leiria, pois considerou que se trata de um “acto premeditado”. Para além do Feirense, a União de Leiria deverá igualmente falhar os jogos com o Benfica, na Luz, e com Nacional, em casa.

Bartolomeu acusou ainda os jogadores de não aceitarem o acordo da SAD, que previa o pagamento dos salários de Janeiro, Fevereiro e Março. “Nunca vi jogadores serem tão radicais, apesar de o presidente do sindicato pedir contenção. É um caso de polícia que mexe com dinheiro e classificações”, sublinhou.

Futuro pode decidir-se hoje

Sobre o futuro da equipa, o presidente demissionário admitiu a possibilidade de pôr fim ao futebol profissional. “Se se confirmar a rescisão colectiva, a União de Leiria tem de abandonar o futebol profissional, mas é a minha opinião. Os accionistas é que vão decidir”, afirmou João Bartolomeu, remetendo para este sábado uma decisão.

Com a rescisão colectiva dos jogadores, o presidente da SAD recordou que a União de Leiria tem “duas hipóteses” para o jogo com o Feirense, no domingo: “falta de comparência ou abandono do futebol profissional”. A sua posição é clara: “abandono”.

O presidente do Sindicato dos Jogadores, Joaquim Evangelista, considera inevitável o desfecho verificado na sexta-feira, face ao comportamento dos responsáveis do clube e da própria Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP) neste processo. Joaquim Evangelista alertou também para a existência de “casos mais graves” no futebol português.

“Lamento que aqueles que têm responsabilidades continuem a falar de questões menores, como o alargamento dos quadros competitivos [para a próxima temporada], quando 80 por cento dos jogadores não recebem atempadamente os salários. O presidente da Liga [Mário Figueiredo] teve oportunidade de ajudar, não venha agora com o argumento de que iria beneficiar um clube em relação aos outros”, criticou nesta sexta-feira o líder sindical, referindo o exemplo de Espanha, onde os responsáveis pelo futebol profissional encontraram soluções para resolver este tipo de problemas sem afectar a competição: “Ao demitir-se da sua responsabilidade, sem uma palavra e sem capacidade de intervenção, o presidente da Liga teve um esforço insuficiente.”