cartas à directora

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Ausências do 25 de Abril

O ato solene na AR da comemoração do 38º aniversário do levantamento militar ficou marcado por duas espécies de ausência. A da Associação 25 Abril e solidários veio com atraso de um ano, pois por esta altura, em 2011, o país estava falido e, não fora o gesto patriótico dos atuais governantes, os pensionistas, civis e militares, não teriam recebido as suas reformas a que tinham direito, e principalmente os civis, que fizeram os descontos durante uma longa carreira contributiva, ficando-me por aqui, pois sei que aqueles que me leem sabem ao que me refiro. (...) A outra ausência, esta forçada pela lei da vida, e aqui quero deixar a minha homenagem, apesar de não ser da minha área política, mas que eu tanto admirava pela sua forma educada de estar na política, e que tive a oportunidade de ver através da Net as duas intervenções suas no Parlamento Europeu e que infelizmente as nossas televisões não passaram. Quis o destino levá-lo na véspera desta efeméride. Mas Miguel Portas não desertou como os outros e esteve lá. Para a sua família, deixo aqui as minhas condolências. Portugal ficou mais pobre.

Jorge Morais, Porto

Poeta, santo e guerreiro

Não gostei da crítica que o senhor Osvaldo Manuel Silvestre dedicou aos meus dois últimos livros: O Som do Sôpro e Raspar o Fundo da Gaveta e Enfunar Uma Gávea. Pode não se gostar de uma crítica que nos fazem, mas reconhecer o seu valor e dela retirar algum ensinamento.

Agora, infelizmente, não é esse o caso: a crítica do senhor Silvestre não tem valor nenhum, nada ensina e, além da sua nulidade, é mentirosa, desonesta, ambígua, e alude a princípios ideológicos e religiosos de carácter pessoal, truncando citações e pondo na minha boca coisas que eu nunca escrevi nem disse: que sou poeta já sabia, mas que era também santo e guerreiro tal nunca me passou pela cabeça (ressalve-se o guerreiro, por metáfora), assim como nunca me afirmei fundamentalista islâmico, mas simplesmente muçulmano, professo numa confraria sufi.

E como, de facto, não sou um sancto, previno o senhor Silvestre de que, se me aparece à frente, em vez de lhe dar a mão a beijar, dou-lhe um par de estalos.

António Barahona, escritor