À lupa

Análise: Llorente fez a diferença

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1. Bielsa só fez descansar Llorente em Santander, enquanto Sá Pinto apresentou as reservas na Madeira, frente ao Nacional. Mas a atitude basca foi inexcedível e disfarçou o maior desgaste físico. O técnico argentino sabia o que estava a fazer quando optou por só fazer descansar o ponta-de-lança. Porque Llorente não vale só pelo 1,95m de altura. Aos 27 anos, está maduro e é hoje um dos melhores avançados do futebol internacional. Foi ele que fez a diferença. Com ele, o Athletic é melhor do que o Sporting.

2.

O Sporting entrou bem, com Wolfswinkel e Matías a atrapalharem a primeira fase de construção do Athletic. Sá Pinto surpreendeu ao deixar de fora Carriço para voltar a colocar André Martins ao lado de Schaars. A opção resultava vantajosa quando o Sporting tinha a bola, mas demasiado perigosa quando surgiam as investidas bascas.

3.

A mobilidade de Muniain, a juntar à versatilidade posicional da própria equipa espanhola, criava principalmente problemas ao flanco esquerdo “leonino”, onde Insúa estava demasiado desacompanhado. Antes do golo de Susaeta (mais um lance em que faltou o apoio aos centrais, porque Schaars socorreu na esquerda e André Martins não está formatado para aquele papel) já o Bilbau tinha feito duas ameaças sérias.

4.

O Sporting reagiu bem à desvantagem, até porque o Bilbau relaxou. Em posse, o Sporting mostrava ideias, mas quando perdia a bola, revelava lacunas perigosas. Há muito que se impunha a troca de Capel por Pereirinha, que é apenas sofrível a construir, mas ajuda muito mais na cobertura defensiva. Sá Pinto só fez isso com uma hora de jogo...

5.

Ao Sporting faltou sempre um Matías mais empreendedor. Mas a fase final do primeiro tempo foi feliz para a equipa de Sá Pinto. Primeiro porque viu Ibai Gómez e Llorente desperdiçarem duas boas situações. E, claro, porque aproveitou um canto para empatar por Wolfswinkel, que até estava a ter uma exibição sofrível.

6.

Pena que o Sporting não tenha aguentado o empate até ao intervalo. Ibai marcou num lance em que Llorente voltou a ser decisivo, mas que não teria sido possível se a defesa leonina estivesse bem posicionada.

7.

Sá Pinto fez no descanso o que devia ter feito no início. Tirou Matías, colocou André Martins na posição do chileno e fez entrar Carriço. Uma opção correcta até porque era garantido que o Bilbau ia forçar o ataque.

8.

Na busca do golo, os bascos acabavam por se desposicionar defensivamente, mas faltava acutilância e inteligência nas saídas ao Sporting, apesar da troca do inócuo Pereirinha por Jeffren. E nada melhorou quando Carrilo ocupou a posição dez, embora se perceba a aposta nas saídas rápidas do peruano.

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