Crise

Vítor Constâncio descarta resgate europeu a Espanha

O vice-presidente do BCE alerta, contudo, que "o futuro pode mudar"
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O vice-presidente do BCE alerta, contudo, que "o futuro pode mudar" Foto: Enric Vives-Rubio

O vice-presidente do Banco Central Europeu (BCE), Vítor Constâncio, descartou a possibilidade de um resgate a Espanha e disse estar confiante nos efeitos que os cortes orçamentais do governo de Mariano Rajoy vão ter no défice público.

Um eventual resgate europeu a Espanha “não está no cenário agora”, afirmou na sexta-feira Vítor Constâncio, em declarações à agência noticiosa EFE, em Washington, onde deu uma conferência no think tank European Institute. “Ninguém conhece a situação exacta porque o futuro pode mudar, mas, de acordo com o cenário presente, não contemplamos essa medida”, acrescentou.

Na sua intervenção, o vice-presidente do BCE sublinhou que a informação sobre o país dada pela Comissão Europeia e pelo Governo espanhol levam a descartar “a participação de qualquer dos mecanismos de intervenção de que a Europa dispõe”, tanto o Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF) como o Mecanismo Europeu de Estabilidade (MES). No entanto, Vítor Constâncio reconheceu que “os instrumentos [de intervenção] estão aí e, evidentemente, se for preciso utilizá-los, serão utilizados para resolver possíveis problemas em qualquer dos países membros”.

O número dois do BCE defendeu que as medidas adoptadas pelo Executivo de Mariano Rajoy para reduzir a despesa e o défice públicos são garantias de que Espanha vai cumprir os seus compromissos. “É claro que o Governo espanhol se comprometeu a conseguir isso e acreditamos que as medidas que foram tomadas em Espanha podem assegurar os objectivos [do défice] para este ano e para o próximo”, afirmou.

Na dimensão europeia, considerou que as reformas empreendidas pelos governos dos Estados-membros se converteram em “instrumentos” complementares à política monetária do BCE para lutar contra a crise de dívida soberana e contribuir para a recuperação da economia europeia.

Diante de uma audiência norte-americana, com representantes da administração Obama, Constâncio reiterou as medidas aplicadas pela instituição que dirige: “Não vemos nenhuma razão para as alterar”, reiterou, numa altura em que o BCE tem sido alvo de críticas por centrar a sua política no controlo dos preços e não assumir também o objectivo do pleno emprego, à semelhaça da Reserva Federal (Fed) norte-americana.

O mesmo responsável disse que a maior vontade do BCE é conter a inflação, que considera ser agora “totalmente controlada”, e previu que o indicador se deverá manter baixo durante o actual exercício económico. Para o vice-presidente do BCE, o aumento das reservas de dinheiro (base monetária) nos Estados-membros não vai induzir a subida de preços na zona euro, porque ainda não há procura suficiente na actividade económica. Vítor Constâncio rejeitou que a sua instituição seja dominada pelos governos ou pelos actores financeiros e disse que “não há risco nenhum para a sua independência”.