I Liga

Crónica de Jogo: Nolito deu música, mas as bancadas preferiram ficar em silêncio

Nolito foi a figura do jogo entre o Benfica e o Marítimo
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Nolito foi a figura do jogo entre o Benfica e o Marítimo Foto: Francisco Leong/AFP

O Benfica esteve à altura das responsabilidades invocadas pelo treinador Jorge Jesus e não concedeu facilidades ao Marítimo. Os “encarnados” bateram a formação insular por 4-1, fizeram 62 pontos e mantêm a perseguição ao FC Porto.

Dois golos de Nolito, na primeira parte, adiantaram a equipa da Luz no marcador e abateram quaisquer esperanças que os jogadores de Pedro Martins tivessem. A segunda parte trouxe um Marítimo mais atrevido, que chegou ao golo. Mas a máquina “encarnada” continuou demolidora e chegou à goleada.

O primeiro tempo foi de sentido único. O Benfica dominou como quis, sem oposição do adversário. E, à terceira oportunidade, marcou. O Marítimo continuou encolhido (fez o primeiro remate apenas aos 26’) e chegou ao intervalo a perder por 2-0. O golo de Sami, no início da segunda parte, não chegou para empolgar a equipa de Pedro Martins. Rodrigo e Bruno César confirmaram a 13.ª vitória dos “encarnados” na Luz, para o campeonato.

Filipe Vieira contestado

Foi uma tarde tranquila para os adeptos do Benfica. Mais tranquila do que seria de esperar, mas não por causa do andamento do marcador. O ambiente no Estádio da Luz foi de silêncio quase total durante toda primeira parte e um largo período da segunda. Um silêncio ensurdecedor, a reflectir algum mal-estar entre adeptos e equipa: na semana passada, após a vitória na final da Taça da Liga, jogadores e treinador tinham sido contestados. E neste sábado as claques não se manifestaram — segundo a emissora Antena 1, foi uma forma de protesto por não ter sido autorizada a entrada de faixas no recinto. Antes da partida, tinham sido pintadas em locais próximos do estádio frases a contestar o presidente Luís Filipe Vieira.


A equipa de Jorge Jesus jogava, por isso, não só para cumprir as responsabilidades no campeonato mas também para seduzir as bancadas. Os ingredientes estavam lá: futebol rápido, intensidade de jogo e um adversário passivo. Mas os adeptos pouco se ouviram. Primeiro viram Peçanha brilhar (aos 4’ a remate de Saviola e aos 7’ após cabeceamento de Luisão). À terceira, Aimar colocou em Nolito, que rematou de primeira para o 1-0. O espanhol demorou cinco minutos a fazer o segundo, desmarcado por Saviola.

O Marítimo, uma sombra da equipa que tem sido a sensação do campeonato, melhorou no segundo tempo com as entradas de Benachour e Fidelis. Sami reduziu a desvantagem (52’), mas isso não chegou para empolgar a equipa nem para ameaçar o domínio do Benfica.

Rodrigo, na primeira vez que tocou na bola, fez o 3-1 (65’). E Bruno César, minutos depois, ampliou o resultado para 4-1. Dois golos com assistência de Nolito, um dos destaques no Benfica. Seria o último lance digno de registo numa partida tranquila, mas que não quebrou a resistência silenciosa das bancadas.

POSITIVONolito

O espanhol foi o herói da tarde. Realizou uma grande exibição e esteve em todos os golos. Marcou os primeiros dois (o segundo num belo “chapéu” a Peçanha) e fez os passes para os outros, apontados por Rodrigo e Bruno César.


Saviola

Titular no campeonato apenas pela nona ocasião, o argentino esteve em destaque na equipa do Benfica. Foi uma seta sempre apontada à baliza do Marítimo. E deixou no ar a dúvida: porque tem jogado tão pouco?


Peçanha

Foi o melhor no Marítimo, e isso diz muito. Brilhou ao início para adiar o golo do Benfica, mas não resistiu à avalanche “encarnada”. E teve pouca ajuda dos companheiros da defesa.


NEGATIVO1.ª parte do Marítimo

Foram uns péssimos 45 minutos dos jogadores de Pedro Martins, muito aquém do que tem feito a equipa sensação do campeonato. Apáticos, os insulares limitaram-se a ver o Benfica jogar. Artur foi um espectador.


Ficha de Jogo

Benfica, 4


Marítimo, 1


Jogo no Estádio da Luz, em Lisboa
Espectadores 40.099

Benfica

Artur, Maxi Pereira, Luisão, Garay, Capdevila a90’, Matic, Bruno César, Aimar (Javi García, 64’), Nolito, Saviola (Rodrigo, 64’) e Cardozo (Nélson Oliveira, 75’). Treinador Jorge Jesus.


Marítimo

Peçanha, Briguel, Robson, Roberge, Rúben Ferreira, Roberto Sousa a25’, Rafael Miranda (João Luiz, 73’), Olberdam (Benachour, 46’), Heldon (Fidelis, 46’), Danilo Dias e Sami a34’. Treinador Pedro Martins.

Árbitro

Bruno Paixão, de Setúbal.

Amarelos

Roberto Sousa (25’), Sami (34’), Capdevila (90’).

Golos

1-0, por Nolito, aos 15'; 2-0, por Nolito, aos 19'; 2-1, por Sami, as 52'; 3-1, por Rodrigo, aos 65'; 4-1, por Bruno César, aos 69'.

Notícia actualizada às 19h53
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