Comércio

Este ano não será inaugurado qualquer centro comercial

Cada português que visitou um centro comercial gastou 10% menos em 2011, face a 2010
Foto
Cada português que visitou um centro comercial gastou 10% menos em 2011, face a 2010 Paulo Pimenta

Estimativas apontam para um mínimo histórico em 2012. Em 2011 abriram apenas dois novos shoppings.

A cumprirem-se as previsões, este ano será atingido um novo mínimo histórico de área inaugurada de centros comerciais em Portugal: não estão previstas quaisquer novas aberturas. De acordo com um estudo divulgado esta terça-feira pela consultora imobiliária Cushman & Wakefield, a conjuntura económica e a ausência de financiamento estão a travar os planos para novos projectos no sector. O ano passado abriram apenas dois novos centros comerciais – o Aqua Portimão, com 35.500 metros quadrados de área bruta locável (a área que produz rendimento no conjunto comercial, afecta aos estabelecimentos de comércio), e o Fórum Sintra, que resultou da expansão do hipermercado Feira Nova. Contas feitas, em 2011, a área inaugurada de shoppings em Portugal foi de 62.600 metros quadrados, o terceiro valor mais baixo dos últimos 20 anos.

“Esta evolução do mercado não surpreende, tendo em conta o actual enquadramento económico do país, bem como a situação vivida no mercado imobiliário em particular. A quase ausência de financiamento à promoção imobiliária em Portugal, associada a um cada vez menor interesse pelos centros comerciais por parte dos investidores internacionais, limita a actividade dos promotores imobiliários que vêem, assim, dificultados os seus planos para novos projectos”, diz Marta Esteves Costa, da Cushman & Wakefield, em comunicado.

O ano passado os centros comerciais em Portugal tiveram uma quebra de receitas de menos mil milhões de euros. As visitas desceram 8,18% (segundo o Índice Footfall) e cada português gastou, em média, menos 10%, face a 2010.

O cenário não será invertido este ano. Com a contracção no consumo e a queda do volume de vendas no comércio retalho, a construção de novos projectos não será uma opção, aponta a consultora. Já para 2013, a Associação Portuguesa de Centros Comerciais refere que estão previstos dois novos espaços em Setúbal.

Europa em queda

A tendência de quebra é semelhante na Europa. Em 2011, o número de aberturas de novos centros comerciais foi idêntico a 2010, ano em que se registou a maior descida desde 1983 neste indicador. Segundo o estudo European Shopping Centre Development, que é publicado semestralmente pela Cushman & Wakefield (C&W), em 2011 “as aberturas de novos centros comerciais na Europa foram afectadas por atrasos na construção em diversos mercados”. As estimativas iniciais apontavam para 6,8 milhões de metros quadrados inaugurados (um aumento de 15% face a 2010), mas na prática abriram 5,9 milhões, em linha com o período homólogo de 2010.

Dos 34 países analisados, 19 registaram quebras neste sector, sobretudo, a República Checa, Áustria, Eslováquia, Croácia e Bulgária, onde não se registaram aberturas. Em 2011, inauguraram 197 centros comerciais, 65% dos quais localizados na Europa Central e de Leste. À semelhança dos últimos anos, a Rússia e a Turquia foram os mercados mais activos.