À Lupa

Análise: Sá derrubou o mestre da táctica

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1. O Benfica não teve força mental para impor a qualidade do seu jogo e foi derrotado por um Sporting que encontrou uma fórmula segura para exponenciar as qualidades e disfarçar as debilidades frente a adversários com gula. Artur foi o melhor benfiquista, o que não abona a favor de quem não esteve à altura de um candidato ao título. Jorge Jesus demorou meio jogo a perceber que Elias não deixava Rodrigo jogar. Sá Pinto ganhou a guerra ao mestre da táctica.

2.

Primeira parte intensa e competitiva. O Benfica entrou melhor, mas isso acontecia também em resultado da estratégia que o Sporting assume nos confrontos mais exigentes: linhas baixas (para atenuar a lentidão dos centrais), aposta clara no erro do adversário e nas saídas rápidas.

3.

Em resultado da entrada vigorosa do Benfica ou porque já estivesse estabelecido, Elias passou a policiar Rodrigo, que se eclipsou. A certa altura, era como se jogassem dez contra dez. O regressado Elias tem mais aptidão do que o promissor André Martins para o duplo pivot com Schaars.

4.

O ímpeto benfiquista esfumou-se rapidamente e o ritmo do jogo baixou um pouco, como pareceu ser vontade do Sporting, que investia num jogo de sombras – o próprio Matías Fernández tentava controlar as acções de Javi e prejudicar a primeira fase da organização ao Benfica. Ao mesmo tempo, o Sporting aproveitava as muitas bolas recuperadas para fazer contra-ataques simples, mas venenosos. João Pereira deixava sob pressão Emerson. E Matías sentia-se como peixe na água na posição central, onde é capaz de queimar linhas. Wolfswinkel mostrava dinâmica, como no lance em que recebeu o lançamento de Insúa e Luisão fez penálti.

5.

O Benfica acusou o golo e, pior, parecia preso num colete de forças. Novamente com os centrais e o trinco de elite à disposição, Jesus olhava incrédulo para o relvado. Não havia sinal do vendaval ofensivo que normalmente caracteriza a sua equipa. Dois lances inconsequentes para a cabeça de Cardozo não chegavam para contrariar o jogo cínico mas eficaz do Sporting.

6.

O Benfica precisava de fazer algo. Jesus abdicou de Rodrigo para lançar Djaló, passando Bruno César para uma posição mais central. Mas Gaitán continuava um desaparecido em combate (só se viu pouco antes de ser substituído), Witsel não chegava para as encomendas e Javi García só se distinguia pelos excessos físicos e pelos disparates, principalmente em dois lances (50’ e 61’) que só não tiveram prejuízos graves porque ontem Wolfswinkel só sabia marcar de penálti. A entrada de Djaló trouxe velocidade, mas percebeu-se que o avançado acusou o regresso a Alvalade.

7.

Javi García acabou, naturalmente, por ser sacrificado. Nélson Oliveira entrou para tornar o Benfica ainda mais de tracção à frente. Após Izmailov falhar por pouco um golo olímpico, Sá Pinto respondeu com a troca de Schaars por Carriço, o que libertou Elias para um papel que ele ainda sabe fazer melhor (médio de transição). Mas Wolfswinkel continuou a desperdiçar.

8.

A expulsão (justa) de Luisão foi a última imagem forte de um Benfica ontem demasiado fraco e incapaz de contrariar a teia montada por Sá Pinto. Com menos tempo de recuperação da jornada europeia, o Sporting foi sempre mais forte e mais rápido. E também mais inteligente. O Benfica não teve estofo de campeão e acusou a responsabilidade.

9.

O jogo teve três lances de alguma dúvida nas áreas. Artur Soares Dias só julgou mal um lance, ao não marcar a falta de Polga sobre Gaitán, no primeiro minuto. Assinalou bem o penálti do golo e não tiveram razão os sportinguistas quando reclamaram falta de Garay sobre Wolfswinkel, aos 25’.

bprata@publico.pt