Liga de futebol

Crónica de jogo: Derby fatal

Wolfswinkel esteve no lance decisivo do jogo
Wolfswinkel esteve no lance decisivo do jogo Foto: Francisco Leong/AFP
Wolfswinkel marcou de penálti
Wolfswinkel marcou de penálti Foto: Francisco Leong/AFP
Polga fez falta sobre Gaitán logo no início da partida, num dos lances polémicos do jogo
Polga fez falta sobre Gaitán logo no início da partida, num dos lances polémicos do jogo Foto: Rafael Marchante/Reuters
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O Benfica falhou onde não podia falhar, em casa com o FC Porto, na 21.ª jornada no início de Março (2-3), quando saiu derrotado da Luz. E agora foi a Alvalade cair quando estava proibido de perder pontos (1-0). Deve o resultado ligeiro a Artur e isso diz muito: podia ter saído do derby a um ponto do FC Porto e a morder os calcanhares ao líder, que tem uma ponta final mais difícil, mas está a quatro e tem pela frente um fosso difícil de transpor. Aos “leões”, longe destas contas dos graúdos, restava-lhes o orgulho e a luta pelo quarto lugar com o Marítimo, agora mais fácil.

O Sporting não despiu a pele. Houve uma troca cirúrgica de Sá Pinto, que meteu Elias no lugar que tem pertencido a Carriço ou a Martins — um grito mais ofensivo que defensivo, mas só no papel. Deu uma missão específica ao brasileiro, que foi a de marcar Rodrigo. Sem Aimar (cumpriu o segundo de dois jogos de castigo), Jesus apostou no espanhol para pensar o jogo “encarnado”. Com a recuperação (ou foi mais um bluff?) de Luisão e Garay, o Benfica entrou com tudo para atacar o título, num jogo que não podia falhar nem um milímetro. E entrou melhor. Encaixou no bloco baixo do adversário e acercou-se da baliza de Patrício, graças à liberdade de Witsel e Rodrigo. Mas foi por pouco tempo, Elias atinou, o cérebro da equipa “encarnada” desapareceu e o Sporting começou a entrar no jogo.

Sem querer a bola (o Benfica acabou o primeiro tempo com 64% de posse de bola, números que não mudaram muito no final do jogo), os “leões” deixavam a construção do jogo do adversário aos centrais rivais, o que pareceu um fardo para a dupla sul-americana, e defendiam todos no seu meio-campo, apoiado por Schaars também mais recuado. E a estratégia começou a dar frutos.

Primeiro foi Capel, escapou-se na direita e cruzou longo de mais para Wolfswinkel: este ainda recuperou e serviu Matías, mas o remate saiu torto. Estava deixado o aviso. Depois foi João Pereira a pôr à prova Artur, que sacudiu sem receio. Com Matías e Izmailov (o russo é o grande motor pensante deste Sporting), o Benfica tinha a bola mas não sabia o que fazer com ela. É este o Sporting de Sá Pinto, à espera de um erro alheio para atacar a presa. E este surgiu através do mais experiente da equipa “encarnada”. Luisão agarrou Wolfswinkel e este deixou-se cair: o holandês não falhou o penálti e deixou o Benfica em maus lençóis.

Cardozo estava só na frente, sem ser alimentado. O paraguaio só por uma vez teve serviço, mas a cabeçada saiu lenta para as mãos de Patrício. Foi o primeiro alerta do segundo melhor marcador do campeonato.

Jesus tentou emendar a mão. Prescindiu de Rodrigo, desviou Bruno César para o centro e fez entrar Yannick, antigo jogador de Alvalade e que foi recebido com muitos assobios. Nas cinco primeiras vezes que tocou na bola, o ex-avançado do Sporting perdeu-a.

Apesar de um figurino diferente de um lado, Sá Pinto manteve o seu esqueleto táctico. Avisou Elias para se manter em cima de César. E tudo continuou igual. Só que aqui, Ricky Wolfswinkel, o autor do único golo da noite, deu ares de um infantil na hora de atirar à baliza. Falhou dois golos isolado — mérito de Artur, sim, o herói do jogo na primeira volta, mas muito demérito do holandês.

Javi García ofereceu ao avançado o brinde da noite, mas este não conseguiu mesmo. Correu muito e tacticamente foi importante, mas, esgotado, seria substituído por Rubio.

O Benfica continuava sem bola e o Sporting a espreitar o contra-ataque. Pareciam os dois satisfeitos, mas os pontos que os “encarnados” deixavam cair obrigavam a mais. Patrício apareceu mais em jogo e Maxi podia ter marcado, não fosse Insúa salvar sobre a linha, depois de um choque entre o guarda-redes e Polga.

Com o tempo, o “leão” cresceu. Na frente do marcador e com moral, o 2-0 esteve mais perto do que o 1-1. Primeiro o remate de Izmailov na barra, com estrondo, depois Artur, que safou quatro golos feitos: dois de Ricky, um de Matías e Izmailov.

Luisão ainda foi expulso perto do fim do jogo, o que foi uma clara mensagem do desnorte benfiquista para os quatro jogos que faltam na Liga, devido agora aos quatro pontos de atraso para o FC Porto.

POSITIVOElias

Sá Pinto tinha necessidade de um médio defensivo que destruísse o jogo criativo de Rodrigo e encontrou-o numa adaptação do médio brasileiro. Elias não deixou respirar o espanhol e anulou parte do potencial ofensivo do adversário.


Artur

Foi o guarda-redes do Benfica quem evitou uma derrota da sua equipa por números mais expressivos. Quatro grandes defesas mantiveram o resultado na segunda parte.


NEGATIVOJavi García

Uma falta grosseira sobre Wolfswinkel rendeu-lhe um amarelo, aos 27’. Foi uma das unidades benfiquistas mais apagadas e o risco de um segundo cartão (e expulsão) levou Jesus a retirá-lo, aos 62’.


Ficha de jogo

Sporting, 1Benfica, 0

Estádio José Alvalade, em Lisboa
Espectadores 47.409

Sporting

Rui Patrício, João Pereira, Polga , Xandão, Insúa, Matías, Elias, Schaars (Carriço, 64’), Izmailov, Wolfswinkel (Rubio, 73’) e Capel (Carrillo, 89’). Treinador Sá Pinto.


Benfica

Artur, Maxi Pereira, Luisão, Garay, Emerson, Javi García (N. Oliveira, 61’), Gaitán (Nolito, 74’ ), Witsel, Bruno César, Rodrigo (Djaló, 46’) e Cardozo. Treinador Jorge Jesus.


Árbitro Artur Soares Dias, do Porto.
Amarelos
Luisão (17’ e 90’), Javi García (28’), Schaars (40’), Xandão (45’), João Pereira (64’), N. Oliveira (64’), Polga (69’), Nolito (76’), Elias (81’), Carriço (81’), Witsel (81’)Vermelho
Luisão (90')

Golo

1-0, por Wolfswinkel, 18’ (g.p.)



Notícia actualizada às 23h12