Crítica

TAbu

Tabu é a “entrada na idade adulta” do cinema de Miguel Gomes, filme da maturidade de um realizador que dá aqui um passo de gigante, mantendo intactas a impertinência e a irrisão do seu cinema ao mesmo tempo sofisticado e ingénuo mas introduzindo pela primeira vez a melancolia do “paraíso perdido”, a compreensão de que, no cinema como na vida, “o que foi não volta a ser”.


Não é por acaso que Tabu é um olhar ao mesmo tempo lúcido e onírico sobre uma África “de pacotilha” mas mais real que a verdadeira, interrogando os sonhos do nosso passado e os remorsos do nosso presente com um piscar de olhos ao cinema clássico que nunca perde de vista a impossibilidade do seu regresso. Gloriosamente fotografado num preto e branco sumptuoso por Rui Poças, Tabu não é ainda um filme perfeito (a concisão nunca foi uma virtude de Gomes, e há momentos em que ainda se sente alguma redundância), mas está tão perto de o ser que está aqui um clássico instantâneo do cinema português.