PS: revisão dos estatutos aprovada sem votos contra

A Comissão Nacional do PS aprovou neste sábado, em votação final global, a proposta da direcção para a revisão dos estatutos deste partido. A proposta obteve 91 por cento de votos a favor e nenhum contra.

O resultado foi anunciado aos jornalistas pelo secretário nacional do PS para a Organização, Miguel Laranjeiro. Com estas alterações estatutárias, o PS poderá escolher os seus candidatos a deputados e a presidentes de câmaras por eleições directas por parte dos militantes.

Por outro lado, os mandatos dos órgãos nacionais passam a ter a duração das legislaturas na Assembleia da República, tendo o líder socialista de se sujeitar a congresso três meses após as eleições legislativas.

“Estamos a fazer aquilo que o PSD não fez no seu último congresso”, disse o secretário-geral do PS, António José Seguro, citado por um dos presentes na reunião da Comissão Nacional, numa alusão ao processo de modernização deste partido.

“Este resultado, que não registou qualquer voto contra, significa que o longo trabalho de seis meses que foi feito junto dos militantes teve aqui uma resultado muito significativo. Fica aprovada uma abertura do partido aos militantes, quer na escolha do primeiro candidato às autarquias, quer na escolha pelas federações dos candidatos a deputados”, acentuou Miguel Laranjeiro.

Segundo Miguel Laranjeiro, o PS “deu um passo em torno de participação cívica dos militantes”. “É um grande momento de abertura e que ficará na história da democracia portuguesa”, disse.

Confrontado com a decisão dos deputados socialistas Renato Sampaio e Isabel Santos de abandonarem a reunião da Comissão Nacional do PS em sinal de protesto, Miguel Laranjeiro considerou que “fugir do debate nunca é uma opção democrática e muito menos no PS, que é um partido aberto que respeita as minorias”.

“Mas as minorias também têm de respeitar as maiorias. Estas propostas de alteração dos estatutos foram aprovadas com mais de 90 por centos dos votos, sem qualquer voto contra”, reagiu.

Na Comissão Nacional do PS estiveram ausentes muitos dos dirigentes que têm criticado o processo de revisão dos estatutos e outras decisões da direcção de Seguro, casos do presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, dos ex-ministros Jorge Lacão e Pedro Silva Pereira, e dos deputados André Figueiredo, José Lello e Sérgio Sousa Pinto.