Crónica de jogo

Um golo de Bruno César nos descontos mantém o Benfica na luta pelo título

O jogo entre o Benfica e o Sp. Braga foi muito equilibrado
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O jogo entre o Benfica e o Sp. Braga foi muito equilibrado Foto: Patrícia Melo Pereira/AFP

Talvez tenha sido o mais importante e emocionante jogo do Benfica esta temporada no Estádio da Luz. Um golo nos descontos valeu a vitória dos “encarnados” frente ao Sp. Braga e tornou tudo mais emocionante no topo da classificação, com os três primeiros classificados separados por dois pontos. Num ritmo alucinante, os lisboetas marcaram primeiro, de grande penalidade (Witsel), mas pouco depois os minhotos voltaram a impor a igualdade (Elderson), sobrando oito minutos para encerrar a partida. Ao cair do pano, Bruno César assumiu o papel de herói e colocou a sua equipa na segunda posição, num dos mais fantásticos campeonatos do século XXI.

Benfica e Sp. Braga iniciaram a partida do Estádio da Luz pressionados pela vitória caseira do FC Porto frente ao Olhanense (2-0) que garantira instantes antes a liderança provisória da tabela classificativa. Só um triunfo da equipa de Leonardo Jardim garantiria o regresso dos minhotos ao comando, antes de receberem no seu reduto os “dragões” na ronda seguinte. Mas para o conjunto de Jorge Jesus os três pontos eram bem mais fundamentais para não deixar os portistas aumentarem a vantagem numa fase crucial da Liga e em vésperas de disputar um complicado derby em Alvalade.

Factores que se fizeram sentir no futebol “encarnado” com particular intensidade na primeira parte da partida. Como lhe competia, a equipa entrou forte e empurrou o adversário para o seu meio-campo. Os lisboetas procuravam um golo madrugador, mas esbarravam num Sp. Braga sólido e determinado a defender. Sem arriscar demasiado e ao seu estilo, os visitantes procuraram as transições rápidas para surpreender.

Com Rodrigo a fazer o papel do castigado Aimar (mas controlado de perto por Custódio), atrás de Cardozo, a pressão do Benfica foi efectiva, mas totalmente improdutiva. Gaitán, na esquerda, era a unidade mais esclarecida nos lances ofensivos (reduzidos com o acerto de Miguel Lopes nas marcações), mas a pouca mobilidade atacante dos seus companheiros tornaram totalmente ineficaz o maior domínio dos lisboetas.

Ao crescente nervosismo do conjunto de Jorge Jesus, os bracarenses (que iniciaram o encontro com sete jogadores portugueses) respondiam com serenidade e acabaram por criar a maior (e solitária) grande ocasião de perigo da primeira metade, no único verdadeiro lance de ataque que logrou fabricar. Valeu a intervenção do ex-bracarense Artur, que evitou o golo de Mossoró. O nulo ao intervalo traduzia justiça numa partida com escassas oportunidades, mas inegável ritmo.

Se o primeiro tempo encerrou com uma boa oportunidade para o Sp. Braga, a segunda metade arrancou com o lance mais perigoso da equipa da casa, com o ex-benfiquista Quim a salvar com as pernas um remate de Witsel na área minhota.

Se o jogo foi intenso nos primeiros 45’, tornou-se frenético após o reatamento, com as duas equipas a arriscarem mais, com lances de perigo a sucederem-se nas duas áreas. O apagamento de Cardozo motivou a primeira mexida de Jesus, que trocou o paraguaio por Nélson Oliveira, aos 64’. Bem mais inesperada foi a segunda alteração na equipa da casa, quatro minutos depois, por força da lesão de Miguel Vítor. Sem centrais no banco, o técnico “encarnado” recuou Javi García para o eixo, chamando Matic para o meio-campo defensivo.

Pelo meio, os bracarenses construíram outra grande oportunidade, com Mossoró, isolado, a cabecear ao lado, após um bom cruzamento de Lima (66’). O jogo parecia complicar-se para o Benfica, quando, aos 75’, um erro do defesa esquerdo Elderson ia deitando tudo a perder para os visitantes ao derrubar, sem necessidade, Bruno César na área. Witsel inaugurou o marcador.

A festa “encarnada” duraria pouco. Um autêntico golpe de teatro dos minhotos, aos 82’, com o mais inesperado protagonista voltaria a empatar o marcador. Um livre marcado por Hugo Viana, na direita do ataque bracarense, foi desviado por… Elderson (esquecido pela defesa da casa) para o fundo das redes. Em poucos instantes, o nigeriano passava de besta a bestial.

Com poucos minutos de jogo, os lisboetas pareciam condenados à divisão de pontos, mas a noite iria confirmar-se eléctrica na Luz. Em período de descontos, Gaitán (o melhor benfiquista em campo) inventou espaço na área adversária, colocou a bola nos pés de Bruno César e tudo terminou com uma enorme explosão de alegria (e alívio) nas bancadas. Um Sporting-Benfica e um Sp- Braga-FC Porto ganharam ainda mais significado na próxima ronda.

POSITIVOBruno César

Sofreu o penálti que originou o primeiro golo de Witsel e garantiu a vitória em cima do final do encontro. Será sem dúvida um dos seus golos mais importantes no Benfica.


Gaitán

Foi um dos melhores “encarnados” em campo e o triunfo está-lhe intimamente associado.


Sp. Braga

Apesar da derrota, os “guerreiros do Minho” comportaram-se como tal e saíram da Luz com as aspirações ao título ainda vivas.


NEGATIVOCardozo/Rodrigo

Uma dupla que já deu muitas provas esta época no ataque benfiquista, mas que neste sábado não resultou.


Ficha de jogoBenfica, 2
Sp. Braga, 1

Jogo no Estádio da Luz, em Lisboa. Espectadores Cerca de 50.000

Benfica

Artur, Maxi Pereira, Luisão, Miguel Vítor (Matic, 68’), Capdevila, Javi García, Bruno César, Witsel, Gaitán, Rodrigo (Nolito, 79’), Cardozo (Nélson Oliveira, 63’).

Treinador

Jorge Jesus.

Sp. Braga

Quim, Miguel Lopes, Douglão, Nuno André Coelho, Elderson, Custódio, Hugo Viana, Alan (Paulo César, 79’), Mossoró (Luis Alberto, 85’), Hélder Barbosa (Nuno Gomes, 82’), Lima.

Treinador

Leonardo Jardim.

Árbitro

João Ferreira (Setúbal).

Amarelos

Douglão (13’), Miguel Vítor (31’), Luisão (65’) e Quim (após final do jogo).

Golos

1-0, por Witsel, 78’; 1-1, por Elderson, aos 82’; 2-1, por Bruno César, aos 90+2’.

Notícia actualizada às 23h57